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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Futebolista italiano deixa seleção após alegado insulto racista

Defesa suspenso alega que alvo dos impropérios "percebeu mal".

18 de março de 2024 às 19:06

O central Francesco Acerbi abandonou esta segunda-feira a concentração da seleção italiana de futebol, na qual será substituído por Gianluca Mancini, no seguimento de alegados insultos racistas no jogo de domingo entre Inter Milão e Nápoles.

O defesa chegou de manhã ao centro de treinos da 'squadra azzurra' e teve a oportunidade de se explicar ao selecionador Luciano Spaletti, mas a federação decidiu dispensar Acerbi.

"Do relato do defesa do Inter [...], entende-se que não houve intenção difamatória, de denegrir ou racista da sua parte", refere esta segunda-feira a Federação italiana (FIGC), que, ainda assim, entendeu retirar o jogador da convocatória.

O incidente ocorreu no domingo à noite no jogo entre Inter Milão e Nápoles (1-1), da Liga italiana, no qual Acerbi terá alegadamente dirigido algum tipo de insulto racista a Juan Jesus, com o jogador napolitano a queixar-se ao árbitro e a apontar para a insígnia "Keep Racism Out" (deixa o racismo de fora).

Em comunicado, também esta segunda-feira o líder da Serie A disse que irá ter uma reunião com o seu jogador "o mais rápido possível", de forma a esclarecer o que é que aconteceu no episódio com Juan Jesus.

Logo após o jogo, o defesa brasileiro, autor do golo do empate do Nápoles, disse que o incidente tinha ficado em campo e que Acerbi era um bom rapaz, mas que tinha exagerado nas palavras e esperava que não o voltasse a fazer.

Num vídeo que se tornou viral nas redes socais, pode ler-se nos lábios de Juan Jesus "não me parece bem, chamou-me negro e isso não me parece bem", dirigindo-se ao árbitro.

No fim do desafio, foi o próprio atleta brasileiro, autor do golo do empate, a desvalorizar o incidente, revelando que Acerbi lhe teria pedido desculpas por "passar das marcas", algo que o italiano negou, considerando que este "voltou a entender mal".

"No campo acontecem muitas coisas, é normal. Joga-se futebol, dizem-se algumas coisas, mas no final cumprimentamo-nos e volta tudo à normalidade", desvalorizou Acerbi.

A seleção italiana tem dois jogos particulares nos próximos dias, na quinta-feira diante da Venezuela, em Fort Lauderdale, Florida, e no domingo frente ao Equador, em Harrison, Nova Jérsia, ambos nos Estados Unidos.

"Foi ele que entendeu mal": Jogador nega insultos

O futebolista Francesco Acerbi, do Inter, negou esta segunda-feira as acusações de insultos racistas ao brasileiro Juan Jesus, do Nápoles, que lhe custaram a saída da seleção de Itália, que vai disputar jogos particulares com Venezuela e Equador.

"Frases racistas nunca saíram da minha boca. É a única coisa que posso dizer. Sei que nunca disse frases racistas. Jogo futebol há 20 anos e sei o que estou a dizer. Estou calmo", garantiu o atleta.

Em causa o incidente de domingo à noite no jogo entre o Inter e o Nápoles (1-1), da Liga italiana, no qual Acerbi terá alegadamente insultado Juan Jesus, que, ao minuto 59, se queixou de forma expressiva ao árbitro enquanto apontava para a insígnia "Keep Racism Out" (deixa o racismo de fora).

"Foi ele que entendeu mal. Dói-me ter deixado a seleção", comentou Acerbi.

Entretanto, enquanto o Nápoles defendeu o seu atleta, o Inter manifestou a intenção de ouvir "o mais rápido possível" a versão do seu futebolista que disse que a sua prioridade era falar com a sua filha.

Com a saída de Acerbi, o grupo de trabalho foi reforçado com Gianluca Mancini, central da Roma, para os jogos com a Venezuela na quinta-feira em Fort Lauderdale, Florida, e com o Equador no domingo em Nova Iorque.

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