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Correio da Manhã

Desporto
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Sérgio Conceição dá lição tática a Lage na primeira derrota do técnico na Liga

Treinador do Benfica brinca com o fogo na defesa. Desta vez acabou chamuscado pelo bafo de um dragão ferido.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 25 de Agosto de 2019 às 01:30
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Clássico Benfica - FC Porto
Há leis que nunca se devem quebrar. Principalmente as que não ditam o comportamento das pessoas, antes o descodificam. A lei da gravidade diz-nos por que vivemos agarrados à Terra, a da oferta e da procura dita o comportamento dos mercados.

Rui Lage não está a respeitar a Lei de Murphy. Este engenheiro genial, ao serviço da NASA nos primórdios da conquista do Espaço, identificou uma regra: se as coisas podem correr mal, vão correr mal. No pior momento possível. Murphy visava que nada falhasse nos voos dos astronautas. Lage está a brincar com a falha na direita da defesa do Benfica.

O Benfica nunca segura o jogo que o FC Porto domina desde o início. O ponto fraco (lá está a Lei de Murphy) é um jovem canhoto que Lage insiste em colocar na direita da defesa. Nuno Tavares revela-se o buraco em que Sérgio Conceição aposta para pressionar rápido e forte.

Assim, aos 20’, Nuno Tavares perde mais uma bola, desta vez para Díaz, que isola o seu avançado. Odysseas defende o remate de Zé Luís para a linha de fundo. Do canto marcado por Alex Telles, na direita, resulta um ressalto dentro da pequena área, que Zé Luís resolve com um toque de bailado para, com o pé esquerdo, empurrar a bola para o fundo da baliza, lance que dá o 1-0.

O Benfica continua abafado pela pressão dos avançados, dos médios, dos defesas – por esta ordem – do FC Porto. Aos 39 minutos, Díaz parte Nuno Tavares, vai à linha, o centro rasteiro passa toda a baliza do Benfica, sem toque fatal nem alívio.

Só uma cabeça tímida de Seferovic, aos 41’, serve de prova de vida do Benfica.

Na segunda parte, nada muda. Lage insiste nos mesmos avançados do início até aos 71’. Quando o espanhol RDT dá lugar a Chiquinho, que 15 minutos depois se lesiona (lá está: quando se contraria a Lei de Murphy, quando se brinca com o risco, tudo o que pode correr mal, vai correr mal).

E, logo após a lesão de Chiquinho, com o lado direito portista sem proteção contrária, Otávio explora os rins de Ferro, num passe nas costas do central, para Marega sprintar e rematar seco até ao 2-0. Aos 86’, Marega vence finalmente um duelo com Odysseas, que indiscutivelmente merece o título de melhor jogador do Benfica neste clássico totalmente dominado pelo Dragão.

Conceição tem a cabeça a salvo. Bruno Lage recebe um saudável banho de humildade.

FC porto dá-se muito bem no atual estádio da Luz
Com a vitória de ontem, o FC Porto igualou o Benfica na classificação da Liga (ambos com seis pontos). Os dragões mantêm uma tendência clara de domínio no atual recinto das águias, inaugurado no dia 25 de outubro de 2003, no que respeita a encontros do campeonato.

Os números são claros: desde essa altura, o FC Porto ganhou sete vezes, empatou seis e perdeu somente em quatro ocasiões. Na época passada o Benfica tinha ganhado por 1-0.

ANÁLISE
Tática ganhadora
Até aos 55 minutos, todas as bolas altas colocadas pelo excelente Marchesín procuram as alturas na zona de Grimaldo. Pelo chão, todas as bolas rápidas procuram as fraquezas de Nuno Tavares. Velocidade e vontade a recuperar bolas no meio-campo. O futebol é simples!

Pare de inventar!
A colocação de Nuno Tavares à direita é má para a equipa e péssima para o jogador. Como defesa-esquerdo, este jovem poderá ser o titular da Seleção para a próxima década. Bruno Lage está a colocar em risco um valioso diamante da formação por forte trauma competitivo.

Quase tudo à inglesa
Excelente arbitragem de Jorge Sousa a deixar jogar e sem cair nas armadilhas da pieguice dos jogadores. Amarelos bem mostrados, em especial a Marchesín, logo aos 41’, por empatar tempo. Com o cansaço, voltou o árbitro português a marcar faltinhas nos últimos 15’.
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