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Onde houver uma câmara e um jogo de futebol, é certo encontrarmos o ‘Emplastro’ a rondar. Figura castiça do Porto, com a mania de dar a cara, tem até nome de um ‘engenheiro’ da bola: Fernando Santos.
O nome Fernando Santos remete-nos para o mundo do futebol, ou não fosse esse o nome do ex-técnico leonino. Agora, o que pouca gente sabe é que este é o nome do homem que tem uma "atracção fatal" pelas câmaras de televisão, procurando as luzes da ribalta onde quer que estejam.
O 'Emplastro' é hoje um fenómeno nacional, de Norte a Sul do País não há estádio de futebol ou concentração mediática onde não seja imediatamente reconhecido e acarinhado por todos os que já se habituaram a ver a sua figura por trás de qualquer repórter desprevenido.
Na Internet, para quem queira conhecer o 'Nando', como lhe chamam os mais próximos, já há um sítio (http://emplastro.no.sapo.pt/) onde podemos ver as suas aparições, umas mais reais que outras, nos mais diversos locais. Desde que haja agitação e a luz de uma câmara é garantido que o 'Emplastro' não andará longe.
SEM NOÇÃO DO PERIGO
Mas quem é que é este Fernando Santos, que de um momento para o outro se transformou numa figura mediática pela simples razão de estar presente? A Domingo Magazine foi à procura dos que o conheceram durante a infância ou que agora convivem com ele.
Fernando cresceu numa família de parcos recursos, na praia da Madalena, Gaia, onde a mãe ajudada pela avó teve de fazer grandes esforços para que “dentro dos possíveis nada lhes faltasse”.A monitora Conceição Marinho, da CERCI de Gaia, recebeu a nossa reportagem com uma frase esclarecedora: “Ele agora é uma figura pública, não é?”. Acompanhou Fernando e os dois irmãos desde os oito anos de idade, e diz: “Era um rapaz com limitações, muito instável e com reduzida capacidade de concentração, facto que lhe dificultava o desempenho”. Assim se explica que o pequeno 'Nando' nunca tenha aprendido a escrever, ocupando o seu tempo a colar, cortar e pintar.
Com a preocupação de quem fala de um ente querido, Conceição frisa que Fernando não tem noção dos perigos. E comprova-o com uma história picaresca que podia ter acabado em tragédia: “Depois de ter saído da CERCI, decidiu subir a um poste de alta tensão, na estação de Devesas, porque viu um passarinho e o queria apanhar. Acabou por ficar todo queimado na zona lombar e com moedas coladas ao corpo.”
Depois de sair da CERCI procurou um emprego, e como até tinha jeito para soldar, começou a trabalhar na Panificadora Coelho, em Vilar de Paraíso, Gaia, onde esteve quinze anos. Geraldo Oliveira foi seu colega de trabalho e recorda-o como um bom rapaz, com uma força física inacreditável. “Era um moço impecável, tem aquele problema, mas é bem-educado. Tinha uma força que lhe permitia levantar até as máquinas pesadas”, disse Geraldo Oliveira.
Todavia, os colegas de trabalho são unânimes a dizer que, uma vez pressionado, o 'Nando' se sente desorientado e excitado. Quanto à personalidade do 'Emplastro', todos são peremptórios em considerá-lo “um brincalhão, boa pessoa e que só fala de futebol”.
Fernando Santos deixou de trabalhar por invalidez e passou a dedicar-se àquilo que mais gosta: andar atrás das câmaras de televisão. Portista ferrenho, que fez do presidente seu pai e do emblemático guarda-redes Vítor Baía sua mãe, o 'Emplastro' é sócio de mais cinco clubes: Boavista, Leça, Académica e Rio Ave, consequência das simpatias que foi angariando.
As viagens para os palcos desportivos não fazem saltar uma única moeda do bolso do Fernando, que vai com as claques que já o adoptaram como mascote. E tantas são as tardes de futebol que as histórias caricatas se multiplicam.
Nesta última época, quando o FC Porto se deslocou a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, o jogo decorreu já noite, sendo que nesse dia não tinha transporte para regressar a casa. Fernando Santos não se amedrontou e deslocou-se ao posto da GNR local, onde pernoitou com o consentimento dos guardas.
Noutra ocasião, também em Barcelos, saltou para dentro do campo porque alguém da claque portista lhe disse para ir buscar a bola. Ele foi – “a vedação era baixinha”, explica – mas como era de esperar a polícia não gostou e prendeu-o.
As aparições do ‘Emplastro’ não se ficam pelos campos de futebol, também já é convidado para programas ou simplesmente aparece. No ‘Herman SIC’, Fernando diz que gostou muito de lá estar porque tinha muitas câmaras, mas principalmente porque ter dado “umas aceleradelas no Ferrari”. Foi, aliás, uma passagem pela televisão, que o fez ganhar uma prótese dentária que agora exibe garbosamente.
Menos sorte teve quando foi ao programa 'Olá Portugal' da TVI, que estava a ser transmitido em directo do Bolhão, e se agarrou a Manuel Luís Goucha para lhe dar um beijo, acabando por ser expulso por seguranças. Ao porquê da paixão pelas câmaras, Fernando responde com uma simplicidade tocante: “São bonitas”.
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