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Artigo exclusivo

Richard Huckle, "O Predador Insano"

Caso de Richard Huckle constitui um dos maiores ensinamentos sobre a relevância da colaboração interpolicial na descoberta das redes internacionais de pedofilia, no seu 'modus operandi' e na "ajuda" da Dark Web a criminosos "insuspeitos".

05 de julho de 2026 às 17:30

Biografia do criminoso e os seus crimes

Richard Huckle ficou conhecido como um dos maiores abusadores sexuais de crianças do Reino Unido. Nascido a 14 de maio de 1986 em Ashford, Kent, Inglaterra, morreu a 13 de outubro de 2019, com apenas 33 anos. Desde cedo, apresentou uma imagem socialmente muito bem integrada, tendo beneficiado de uma educação estável e aparentando um percurso social comum. Contudo, por detrás desta aparência normal, desenvolveu uma personalidade profundamente perturbada, marcada por uma obsessão sexual por crianças, que viria a transformar-se numa verdadeira carreira criminosa. Entre 2006 e 2014 viajou repetidamente para a Malásia e para outros países do Sudeste Asiático, onde se infiltrou em comunidades muito pobres, sobretudo junto de famílias cristãs desfavorecidas. Aproveitando-se da sua condição de cidadão ocidental, de se apresentar como missionário cristão, professor de inglês e voluntário humanitário, rapidamente conquistava a confiança das famílias e obtinha acesso privilegiado às crianças. As suas vítimas tinham idades compreendidas entre os seis meses e os doze anos, sendo, muitas delas, provenientes de contextos de extrema vulnerabilidade económica e social. As investigações viriam a demonstrar que Huckle abusou diretamente de pelo menos 23 crianças, todas devidamente identificadas, embora os registos encontrados – apontamentos manuscritos do agressor - apontassem para cerca de 200 vítimas potenciais que não foram seguramente validadas. Os crimes cometidos revelam um grau de planeamento muito perturbador. Não se limitava aos abusos sexuais; fotografava e filmava as suas práticas e atos, tendo armazenado milhares de imagens e vídeos, que depois comercializava na Dark Web. Chegou mesmo a criar um sistema próprio de classificação dos abusos, atribuindo-se a si próprio 'pedopoints' conforme a gravidade dos atos por si praticados. Redigiu um extenso “manual” destinado a outros pedófilos, onde ensinava estratégias para identificar vítimas vulneráveis, como manipular as famílias e, também, como evitar a deteção pelas autoridades. O juiz responsável pelo processo classificou este manual como uma obra “verdadeiramente maléfica”, destinada a promover e difundir a exploração sexual infantil.

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