Nunca temeu a exposição nos papéis que interpretou e fez o que muitas actrizes já recusaram; despiu-se para ser prostituta. O ‘anjo’ de olho azul também pode ser perverso...
Queria ter sido cantora. Depois quis ser médica, veterinária e cabeleireira, até que, aos 17 anos, quando terminou o 12.º ano, decidiu seguir a área de Relações Públicas. Hoje, com 29 anos, Sofia Alves é uma actriz de enorme talento. Começou pelo cinema, passou para o pequeno ecrã com as telenovelas e, finalmente, experimentou o teatro, tornando-se numa das actrizes mais acarinhadas pelo público.
Entre os papéis em que mais se destacou está a série ‘Ballet Rose’, da RTP1. Uma série polémica que retrata um escândalo verídico, passado durante o regime de Salazar, que envolvia prostitutas e políticos. Aquela que à custa das telenovelas se viria a tornar a ‘namoradinha’ de Portugal, surge num papel de uma jovem prostituta, atrevida, e protagoniza uma das cenas mais picantes de uma série já de si a carecer de bolinha vermelha. A imagem de nudez parcial daquela actriz loira de olho azul, com ar cândido, descobriu a actriz versátil.
Estava para vir o papel das gémeas em ‘Olhos de Água’, a telenovela marco do ‘boom’ das produções nacionais da TVI. As audiências excederam as expectativas e Sofia tornou-se numa estrela nacional.
MODELO PRECOCE
Sofia Alves nasceu a 25 de Setembro de 1973, em Luanda, Angola. Tinha apenas 12 anos quando começou a trabalhar como modelo infantil, por intermédio de uma amiga da mãe que decidiu inscrevê-la na agência Perfil 35. Entre os vários anúncios publicitários em que participou, destacam-se alguns dos catálogos de roupa da Cenoura. Até que, aos 17 anos, surgiu a oportunidade de entrar em ’Vale Abraão’, um filme de Manoel de Oliveira. Foi ao ‘casting’ sem grande fé mas foi a escolhida. A partir daí nunca mais ninguém a parou: trabalhou com os melhores realizadores, actores e directores, e foi essa a sua escola, já que entrar para o conservatório nunca lhe pareceu relevante.
CEGA NA TVI
Na televisão participou na série ‘A Banqueira do Povo’. Logo a seguir, entrou em mais um filme de Manoel de Oliveira, ‘A Caixa’. Voltou ao pequeno ecrã com ‘A Paz dos Anjos’, seguindo-se outra película do mais velho realizador português, ‘Party’. Depois, veio a telenovela ‘Desencontros’, a peça de teatro ‘O Dia Seguinte’, de Luís Francisco Rebelo, e as novelas ‘Primeiro Amor’ e ‘Os Filhos do Vento’. Os trabalhos mais recentes foram em ‘Os Lobos’, ‘Ballet Rose’, ‘Jornalistas’, ‘O Conde D‘Abranhos’, onde se voltou a pôr a nu frente ao ecrã, o filme ‘605 Forte’, de João Mário Grilo, e a novela ‘Olhos de Água’. O último trabalho em televisão que se conhece da actriz é a telenovela ‘A Jóia de África’, gravada durante quatro meses em Moçambique.
Actualmente, Sofia Alves encontra-se a gravar ‘O Teu Olhar’, telenovela da TVI com estreia marcada para Setembro e onde será novamente protagonista. As filmagens estão a decorrer em Coimbra e a actriz interpretará o papel de Margarida, uma jovem que acidentalmente fica cega.
DIAS MAUS
Apesar de uma carreira cheia de êxito, Sofia Alves provou o sabor dos momentos menos felizes. Durante curtas semanas, a actriz experimentou o papel de apresentadora, tomando o comando do programa matinal ‘As Manhãs de Sofia’, mais uma vez na TVI. Dias mais tarde, abandonou o programa, alegando falta de apoio e de organização por parte da Teresa Guilherme Produções. A atitude abriu uma enorme polémica com a produtora. Na imprensa, o caso rende páginas de aceso confronto entre a actriz e Teresa Guilherme .
Actriz recatada – apesar de nunca se furtar a um desempenho mais ousado, sempre que a arte o exige -, nos últimos tempos, Sofia Alves viu a sua vida pessoal saltar para o domínio público, devido à separação do seu companheiro dos últimos três anos, e pai do seu filho Guilherme, Pedro Esteves. Farta de ver serem atirados ao ar assuntos pessoais, a actriz assumiu o corte de relação e o seu relacionamento com Celso Cleto, produtor da peça ‘A Educação de Rita’, recentemente saída de cena, na qual Sofia Alves participou como actriz. N
ELA ARRISCOU E VENCEU
A televisão é uma fábula simpática para a sociedade em que vivemos. Nela circulam emoções rápidas que nos contam mais sobre os nossos sonhos e receios do que muitas outras coisas. Nela surgem homens e mulheres que sabem que o seu momento de glória pode não ultrapassar 15 minutos. Mas alguns, à sua maneira, recusam-se a ficar num apeadeiro da longa marcha histórica da TV, que é conhecida por devorar os seus mais queridos filhos. Sofia Alves é um desses raros exemplos: sobreviveu a todo o tipo de tempestades (até fazer um programa matinal), e soube encontrar um espaço de respiração onde se concilia a comédia com o drama e onde a telenovela não é o lado errado do espelho da representação. E, às vezes, sente-se que é ela que carrega a telenovela às costas e não o contrário.
Seja em ‘Ballet Rose’, ‘O Conde de Abranhos’, ‘Jornalistas’, ‘Jóia de África’, no telefilme de João Mário Grilo, nos filmes de Manoel de Oliveira, em ‘Olhos de Água’, ou no teatro, ela move-se com a destreza de uma bailarina que sabe encontrar o ritmo de todos os papéis. Não admira que seja novamente chamada para o ‘prime time’. A sua imagem continua presa a uma certa simplicidade e inocência que são pouco típicas no mundo do entretenimento nacional. Se calhar foi por isso que conquistou o olhar dos portugueses.
Há alguns anos, numa entrevista, ela dizia-me que eram os “estímulos” que a faziam abrir novas fronteiras profissionais. Será por isso difícil que não se liberte do circuito de manutenção das telenovelas e não busque, sempre, o risco como fórmula certeira para continuar no mundo do espectáculo. A televisão portuguesa, nos últimos anos, tem na sua forma de estar um dos seus motivos de orgulho, na sua presença um dos seus trunfos mais seguros. Será difícil, quando se fizer a história destes anos da caixinha que mudou muito a sociedade portuguesa, que ela não tenha direito a um capítulo.
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