Era um dos mais ricos do País e deixou filho à frente da Jerónimo Martins.
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Controverso e bem-sucedido, o ‘senhor Pingo Doce’ era um dos mais ricos de Portugal e deixa uma fortuna avaliada em 3554 milhões de euros, de acordo com os dados da ‘Forbes’.
Administrador da Jerónimo Martins desde 1968, presidente do grupo de 1996 a 2003 e depois ‘chairman’ até 2013, deixou o filho, Pedro Soares dos Santos, na liderança. O empresário morreu sexta-feira, aos 84 anos. Por sua vontade, as cerimónias fúnebres serão reservadas à família e deverá depois ser homenageado publicamente em data a anunciar.
Soares dos Santos deixa sete filhos. Em 2012, afirmou que o seu legado para eles era apenas "uma lição de vida, de conduta" porque "o resto é um património que têm de cuidar, para o qual outras pessoas contribuíram". Aliás, o gestor disse sempre que dedicava a sua vida à empresa e à família – que foi fulcral no combate a vários cancros que o atacaram –, um dos quais lhe tirou agora a vida.
O empresário – que nasceu no Porto – nunca deixou de dizer o que pensava. Entre os juízos críticos sobre a conjuntura político-económica, referia que Portugal precisa de um Governo que pense o País a longo prazo e não de olho nas eleições. Mas nunca quis enveredar pela política. A sua participação foi sempre "cívica".
Em 2009, criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, depois de 45 anos a transformar um negócio familiar numa cadeia de distribuição de grande dimensão. Foi "um dos maiores empresários das últimas décadas" para a Associação Empresarial de Portugal. Soares dos Santos é distinguido pela Associação Industrial Portuguesa devido à sua intervenção "acutilante e corajosa".
"Procurei ser um homem responsável e livre"
"Nunca quis ficar a dever favores para poder decidir os negócios da minha família de forma totalmente independente do poder político. Fui conduzido sempre pelo respeito por todas as pessoas, por um sentido de compromisso cívico e pelo empenho no bem comum. Sou assim, sou, ao fim e ao cabo, um empresário cristão, que acredita que a verdadeira prosperidade tem sempre rosto humano e um forte sentido ético."
As palavras são de Alexandre Soares dos Santos, aquando da distinção pelo ‘Negócios’ como ‘Personalidade do Ano’, e foram lidas pelo filho na cerimónia de entrega, em maio. A doença impediu o gestor de estar presente. "Não faltam razões para estar satisfeito com os frutos da minha atividade profissional", referia no discurso. "Ao longo da minha vida, procurei acima de tudo ser um homem responsável e livre, com independência para pensar e decidir pela minha cabeça", concluiu.
Ofereceu cabazes e foi criticado pelos salários baixos
Incutiu no grupo Jerónimo Martins uma política de família e chegou até a defender a entrega de cabazes de compras às famílias que tinham crianças a seu cargo. Recebeu críticas pelos salários baixos que pagava aos funcionários nos cargos menos relevantes, mas defendia que ordenados altos "não são salários da rua Augusta ou da rua do Ouro; são salários do Mundo" para conquistar os melhores profissionais.
"Papel relevante na vida portuguesa"
Marcelo Rebelo de Sousa condecorou Soares dos Santos com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, em 2017. O Presidente da República destaca a "personalidade singular" do gestor e o seu "relevante papel na vida económica, social e cultural portuguesa". Mostra-se "pessoalmente consternado" e apresenta "à família muito sentidas condolências".
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