Barril de crude pode ultrapassar os 100 dólares nos próximos dias, ou chegar mesmo aos 150 dólares se a produção tiver de ser suspensa.
Preço do petróleo em máximos dispara combustíveis
O preço do crude poderá ultrapassar os 100 dólares nos próximos dias se o novo conflito no Médio Oriente se prolongar, pressionando em alta os preços dos combustíveis. Desde que começaram os ataques dos EUA e Israel contra o Irão, o barril já subiu quase 25%. Devido à escalada do conflito, a cotação do Brent do Mar do Norte, que serve de referência para as importações europeias, já atingiu um valor inédito desde abril de 2024 (92,69 dólares).
Esta subida da matéria-prima tem influência direta na cotação dos derivados da gasolina e do gasóleo, encarendo o preço final para o consumidor. Hoje, em Portugal, o gasóleo deverá subir 19 cêntimos na bomba (para 1,829 euros por litro), enquanto a gasolina deverá aumentar 7,5 cêntimos (para 1,780 euros). Conscientes deste aumento estimado dos combustíveis, os portugueses continuaram ontem numa autêntica corrida aos postos de abastecimento, que começou logo na sexta-feira quando foram conhecidas as previsões do setor.
Se bem que o mercado esteja bem abastecido, dada a procura prevista, os analistas advertem que o preço do barril poderá continuar a subir no curto prazo, devido ao “prémio de risco geopolítico” decorrente desta guerra, a não ser que nos próximos dias surjam indícios de uma desescalada. Segundo as estimativas do banco norte-americano Goldman Sachs, o barril poderá ultrapassar os 100 dólares nos próximos dias por força do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo e gás natural.
Por sua vez, o ministro da Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, disse ao ‘Financial Times’ que a guerra pode obrigar todos os exportadores de gás e petróleo do Golfo Pérsico a suspender a produção dentro de alguns dias, o que faria subir o barril para os 150 dólares. Isto porque as instalações de armazenamento de petróleo na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait estão a atingir a sua capacidade máxima, o que significa que importantes campos petrolíferos podem ter de ser fechados se o crude não puder ser exportado pelo Estreito de Ormuz para o mercado global.
Também o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, já sinalizou que, apesar de haver petróleo suficiente, os preços podem continuar a subir “durante dias ou semanas”, se o conflito se prolongar.
ISP DO GASÓLEO
O Governo português tem em curso uma “redução extraordinária e temporária” de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) do gasóleo. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, já admitiu avançar com mais medidas a nível nacional e até ibérico, para mitigar a subida dos combustíveis.
Redução da produção
A companhia petrolífera do Kuwait reduziu “preventivamente” a produção de petróleo, devido aos ataques iranianos e às ameaças sobre o Estreito de Ormuz.
"PEQUENO CONTRATEMPO"
O presidente dos Estados Unidos minimizou o aumento dos preços dos combustíveis. “É um pequeno contratempo. Tivemos que fazer este desvio. Eu sabia exatamente o que ia acontecer”, afirmou Donald Trump.
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