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35 mil tripulantes e passageiros de navios bloqueados no estreito de Ormuz

Estreito, uma passagem estratégica por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, continua paralisado devido à guerra.

05 de março de 2026 às 15:20

Cerca de 20.000 tripulantes e 15.000 passageiros ficaram bloqueados no Golfo Pérsico devido à guerra no Médio Oriente e à paralisia do estreito de Ormuz, anunciou esta quinta-feira a Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês).

A agência da ONU com sede em Londres manifestou-se "profundamente preocupada" com o bem-estar e a segurança de passageiros de cruzeiros e de tripulantes de diferentes navios, segundo um comunicado divulgado no seu 'site'.

"Embora a perturbação no comércio global seja significativa, a principal preocupação da IMO continua a ser as implicações humanitárias e de segurança para os tripulantes a bordo de navios que operam naquela área", afirmou.

A IMO, responsável pela segurança marítima, acrescentou estar pronta para "colaborar com todas as partes interessadas para contribuir para garantir a segurança e o bem-estar" das pessoas afetadas.

Israel e os Estados Unidos têm em curso uma ofensiva militar contra o Irão desde sábado, 28 de fevereiro, que afetou a circulação marítima e aérea de pessoas e mercadorias na região.

O estreito de Ormuz, uma passagem estratégica por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, continuava paralisado devido à guerra.

Os Guardas da Revolução iranianos reivindicaram o controlo do estreito e ameaçaram "queimar qualquer navio" que tente usar a via que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

Desde os primeiros ataques norte-americanos e israelitas ao Irão, a IMO contabilizou sete incidentes com navios no estreito, num total de dois mortos e seis feridos.

"Nenhum ataque contra marítimos inocentes é alguma vez justificado", disse o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, à agência de notícias France-Presse (AFP).

"Reitero o meu apelo a todas as companhias marítimas para que exerçam a máxima cautela ao operarem na região afetada", afirmou Dominguez.

Num contexto de tensão extrema, os grandes armadores mundiais desviaram os navios do Golfo.

O tráfego no estreito de Ormuz caiu 90% hoje, de acordo com dados da Kpler, uma plataforma que acompanha os movimentos de navios em tempo real.

Dominguez apelou a todas as partes para que intensifiquem os esforços para "desanuviar a situação o mais rapidamente possível", de modo a que a navegação marítima possa retomar o funcionamento normal.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou na terça-feira que a marinha dos Estados Unidos poderia escoltar petroleiros, se necessário, através do estreito.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou no mesmo dia que estava a tentar construir uma coligação para reunir meios, "incluindo militares", para garantir a segurança das "vias marítimas essenciais para a economia mundial".

O Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com ataques aos países do Golfo Pérsico, o que causou também a suspensão de grande parte das ligações áreas na região.

A guerra causou até ao momento cerca de 1.400 mortos, a grande maioria no Irão, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei, logo no primeiro dia da ofensiva.

As baixas afetam também Estados Unidos, Israel, Líbano e outros países da região.

A ofensiva contra o Irão foi lançada quando Teerão e Washington tinham em curso um processo de negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, e Israel, inimigo declarado de Teerão, suspeitavam que o Irão pretendia desenvolver armas nucleares.

Teerão negou sempre que o programa tivesse objetivos militares, reclamando o direito de a usar a tecnologia nuclear para fins civis.

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