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EUA sancionam quatro organizadores da Flotilha Gobal Sumud

Estados Unidos acusam-nos de apoiar o grupo islamita Hamas e de minar os esforços de paz do Presidente norte-americano.

19 de maio de 2026 às 17:53

Os Estados Unidos sancionaram esta terça-feira quatro organizadores da Flotilha Global Sumud, que procurava romper o bloqueio israelita a Gaza, acusando-os de apoiar o grupo islamita Hamas e de minar os esforços de paz do Presidente norte-americano.

Em comunicado, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que estava a impor sanções, através do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros, contra "quatro indivíduos associados à flotilha pró-Hamas", que acusa de procurar alcançar o enclave palestiniano "em apoio" dos islamitas palestinianos.

"A flotilha pró-terrorismo que tenta chegar a Gaza é uma tentativa absurda de minar o progresso bem-sucedido do Presidente Trump rumo a uma paz duradoura na região", comentou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, citado no comunicado.

O governante norte-americano avisou também que Washington "continuará a cortar as redes globais" de apoio financeiro ao Hamas, "independentemente do local do mundo onde se encontram".

Entre os quatro indivíduos atingidos pelas sanções norte-americanas encontra-se o ativista espanhol de origem palestiniana Saif Hashim Kamel Abukeshek, já anteriormente detido em Israel no início de maio, e Hisham Abdallah Sulayman Abu Mahfuz, residente em Espanha.

Ambos são apontados como líderes da Conferência Popular dos Palestinianos no Estrangeiro (PCPA), organização com sede na Europa e já sancionada por Washington.

Abukeshek consta também como membro do comité diretivo da flotilha humanitária, que tentou romper o bloqueio à Faixa de Gaza palestiniana em várias viagens, enquanto Abu Mahfuz desempenha as funções de secretário-geral interino e presidente da organização.

Washington impôs ainda sanções a Mohammed Khatib e Jaldia Abubakra Aueda, coordenadores da Rede de Solidariedade com os Prisioneiros Palestinianos (Samidoun), uma entidade sediada na Bélgica e que, segundo Washington, "serve de plataforma de angariação de fundos nos países onde a Frente Popular para a Libertação da Palestina enfrenta restrições legais".

Em resultado destas medidas, todos os bens e interesses dos indivíduos sancionados nos Estados Unidos ou sob o controlo de cidadãos norte-americanos estão bloqueados, e as transações com os mesmos são proibidas, exceto com autorização específica.

A última flotilha, composta por mais de 50 embarcações com quase 400 ativistas de cerca de 40 países, partiu da Turquia em 14 de maio e foi intercetada, na segunda-feira em águas internacionais perto de Chipre, por Israel, que planeava transferir os participantes para o porto de Ashdod.

Esta tentativa de chegar à Faixa de Gaza surge depois de Israel ter intercetado outros 20 barcos perto de Creta, na Grécia, no final de abril com 175 ativistas a bordo, incluindo Saif Abukeshek.

Tanto Abukeshek como o ativista brasileiro Thiago Ávila, também participante na flotilha, foram então detidos pela Marinha israelita e levados para Israel, onde estiveram em greve de fome durante dez dias, antes de serem deportados.

A Flotilha Global Sumud contou com personalidades como a ativista Greta Thunberg, o ator Liam Cunningham e a ex-presidente da câmara de Barcelona ??Ada Colau, bem como membros do Parlamento Europeu e políticos de países europeus e latino-americanos.

Além dos organizadores da Flotilha Global Sumud, o Departamento do Tesouro aplicou também sanções relacionadas com a rede da Irmandade Muçulmana, que descreve como alinhada com a ideologia do Hamas.

A lista inclui um homem identificado como Marwan Abu Ras, apontado como chefe da Associação de Académicos Palestinianos, uma organização criada pelo Hamas em 2014 com a missão de garantir que "todo o discurso religioso em Gaza está em conformidade com a ideologia" dos islamitas palestinianos.

Três homens identificados como Karim Sayed Ahmed Moghny, Muhammad Yamal Hassan al- Najjar e Ahmed Ewis Ahmed são por sua vez acusados ??de desempenhar um papel chave no Hamas e de fundar o "HASM, um braço violento da Irmandade Muçulmana com sede no Egito, dedicado a realizar ataques terroristas contra civis", segundo o Tesouro.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, elogiou na segunda-feira o "trabalho excecional" da Marinha na interceção de embarcações, apontando que o seu objetivo era quebrar o isolamento dos "terroristas do Hamas".

O Governo português convocou na segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, "em violação do direito internacional", de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares.

Um cessar-fogo entrou em vigor na Faixa de Gaza em outubro do ano passado, ao abrigo de um plano dos Estados Unidos apoiado pelos outros países mediadores e pela ONU, mas desde então Israel e Hamas acusam-se mutuamente de sucessivas violações do entendimento, enquanto organizações humanitárias acusam as autoridades israelitas de continuarem a impor restrições à entrada de ajuda no território.

A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelos islamitas palestinianos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

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