Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, anunciou, esta sexta-feira, a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O secretário-geral da ONU saudou, esta sexta-feira, o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irão, considerando-o "um passo na direção certa" para "reduzir as tensões numa das rotas marítimas mais estratégicas e sensíveis do comércio internacional".
Numa conferência de imprensa, o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, sublinhou "a necessidade de garantir o respeito pelos direitos e liberdades de navegação, em conformidade com o Direito Internacional".
"Estas liberdades devem ser respeitadas por todas as partes, sem exceção, e a sua preservação é essencial para a estabilidade regional, a segurança marítima e o fluxo ininterrupto do comércio global", afirmou.
Exortou também todas as partes envolvidas a agirem com "máxima moderação" e evitarem "qualquer ação que possa reacender as tensões ou pôr em perigo o frágil cessar-fogo atualmente em vigor".
"O desanuviamento deve ser acompanhado de medidas sustentadas que promovam a confiança mútua e lancem as bases para um apaziguamento duradouro", sustentou.
O responsável máximo das Nações Unidas expressou igualmente o seu "firme apoio" aos esforços para encontrar uma solução pacífica para o atual conflito e, nesse sentido, avaliou positivamente iniciativas de mediação como a do Paquistão, que permitiram "progressos na redução das hostilidades e no estabelecimento de canais de diálogo entre as partes".
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, anunciou, esta sexta-feira, a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz até ao fim do cessar-fogo com os Estados Unidos (EUA), na próxima quarta-feira, após o início da trégua entre o Líbano e Israel, acordada na quinta-feira.
No entanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu de que o bloqueio da Marinha norte-americana à costa iraniana continuará em vigor até que ambos os países cheguem a um acordo para pôr fim ao conflito, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.
Após estas declarações do chefe de Estado norte-americano, as agências de notícias Fars e Tasnim, ambas ligadas à Guarda Revolucionária iraniana, informaram que "se o bloqueio marítimo [dos EUA] se mantiver, tal será considerado uma violação do cessar-fogo, e o Estreito de Ormuz será encerrado".
O Comando Central dos EUA afirmou que as Forças Armadas norte-americanas "não estão a bloquear o Estreito de Ormuz", mas apenas os navios que saem ou se dirigem para o Irão.
Os Estados Unidos e Israel justificaram o ataque militar ao Irão lançado a 28 de fevereiro com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.
O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
Desde 28 de fevereiro, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas pararam a 05 de março de atualizar o balanço oficial.
A 12 de abril, forneceram um novo balanço, após 39 dias de guerra: 3.375 mortos, entre os quais 383 crianças.
Já a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, que todos os dias atualizou o número total de vítimas mortais no Irão, situou-as no seu último relatório antes da entrada em vigor do cessar-fogo em pelo menos 3.636, entre as quais 1.701 civis.
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