Chanceler alemão e primeira-ministra italiana emitiram esta declaração após uma reunião multinacional esta sexta-feira realizada em Paris.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmaram-se esta sexta-feira dispostos a contribuir militarmente para uma missão defensiva no Estreito de Ormuz, defendendo o líder germânico a inclusão dos Estados Unidos na iniciativa.
Merz e Meloni emitiram esta declaração após uma reunião multinacional esta sexta-feira realizada em Paris, no Palácio do Eliseu, presidida pelo chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
A Alemanha "participará nas restantes discussões em curso sobre planeamento militar" e "se possível, acolheríamos com satisfação a participação dos Estados Unidos da América", declarou Merz, ao lado dos dirigentes francês, britânico e italiana.
"Os preços exorbitantes da energia têm de voltar a descer o mais rapidamente possível, e esta guerra não deve tornar-se um teste de resistência transatlântico", sustentou o chefe do Governo alemão.
Merz indicou que a participação alemã numa missão internacional de segurança "poderá incluir, após o fim das hostilidades, uma intervenção da Bundeswehr", as Forças Armadas alemãs.
Tal exigirá "uma base jurídica sólida, por exemplo, sob a forma de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU", referiu, acrescentando que a participação alemã poderá consistir em "operações de desminagem, bem como de reconhecimento marítimo".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, recomendou esta sexta-feira que os parceiros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) se mantenham "longe" do Estreito de Ormuz, "a não ser que queiram apenas carregar os seus petroleiros", depois de o Irão ter anunciado a reabertura completa da via navegável, enquanto durar a trégua no Médio Oriente.
Merz considerou tratar-se de uma "boa notícia" e insistiu na necessidade de "reabrir de forma fiável e sustentável" o estreito à livre navegação, "sem qualquer tipo de pagamento", em "total conformidade com o Direito Internacional do Mar".
Por sua vez, a primeira-ministra italiana também considerou que uma futura missão naval internacional para garantir a segurança do Estreito de Ormuz deverá esperar pelo "fim das hostilidades, em coordenação com todos os atores, regionais e internacionais, numa postura exclusivamente defensiva".
"Itália está pronta para participar", afirmou Giorgia Meloni no final da reunião multinacional, ao lado de Macron, Starmer e Merz.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.
O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
Desde 28 de fevereiro, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas pararam a 05 de março de atualizar o balanço oficial.
A 12 de abril, forneceram um novo balanço, após 39 dias de guerra: 3.375 mortos, entre os quais 383 crianças.
Já a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, que todos os dias atualizou o número total de vítimas mortais no Irão, situou-as no seu último relatório antes da entrada em vigor do cessar-fogo em pelo menos 3.636, entre as quais 1.701 civis.
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