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Novos ataques ao Irão complicam difíceis negociações para acabar com guerra, defende Kaja Kallas

Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, esta quarta-feira, que o cessar-fogo com o Irão acabou.

08 de julho de 2026 às 10:04

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, considerou que os novos ataques norte-americanos e iranianos "complicam ainda mais as já difíceis negociações" entre Washington e Teerão, anunciando um debate com os países do Golfo.

"As hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão complicam ainda mais as já difíceis negociações para pôr fim à guerra. Os ataques do Irão ao Barém e ao Kuwait são inaceitáveis", reagiu a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança numa publicação na rede social X.

Na mensagem, Kaja Kallas referiu que, "ao abrigo do memorando, Teerão compromete-se a reabrir o Estreito de Ormuz", mas "os seus recentes ataques a navios nas proximidades do Estreito violam esse compromisso e ameaçam interromper o restabelecimento do fornecimento de energia".

"A liberdade de navegação não pode ser comprometida", acrescentou, sem nunca mencionar diretamente os ataques iniciais, por parte dos Estados Unidos.

A chefe da diplomacia comunitária anunciou que, "na próxima segunda-feira, os Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia vão reunir-se com os seus homólogos dos países do Golfo para discutir de que forma se pode trabalhar em conjunto para apoiar a implementação do acordo e preservar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, bem como no Mar Vermelho".

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) confirmou na terça-feira ataques contra mais de 80 alvos em território iraniano, na sequência de disparos contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Segundo o Centcom, mais de 60 pequenas embarcações da Guarda da Revolução Islâmica iranianas foram atacadas "para reduzir a capacidade do Irão de continuar a atacar o comércio internacional que flui através do corredor comercial internacional".

Em alegada resposta à "violação clara" do acordo de cessar-fogo assinado em junho, a Guarda da Revolução anunciou esta madrugada ter atingido 85 instalações militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, em resposta a bombardeamentos dos EUA em território iraniano.

O ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros emitiu uma "séria advertência sobre as consequências do incumprimento do acordo".

Em paralelo, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que se encontrava no Iraque para participar nos funerais do líder supremo Ali Khamenei, regressou a Teerão após os últimos ataques, informou a agência de notícias estatal iraniana IRNA.

O ataque iraniano foi confirmado esta madrugada pelo Kuwait e Bahrein: o Exército do Kuwait informou estar a responder a ataques de drones e mísseis e o Ministério do Interior do Bahrein anunciou a ativação dos alertas aéreo a seguir aos bombardeamentos norte-americanos.

Nas últimas semanas, as tensões entre Washington e Teerão voltaram a intensificar-se, com ataques iranianos contra navios e bombardeamentos norte-americanos contra alvos militares na costa sul do Irão, num confronto pelo controlo do Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do comércio mundial de petróleo.

Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, esta quarta-feira, que o cessar-fogo com o Irão acabou.

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