Bombardeamentos no Líbano, ataques de drones no Iraque e ameaças de mísseis no Golfo foram alguns dos acontecimentos principais.
A guerra no Médio Oriente agravou-se esta quinta-feira com bombardeamentos no Líbano, ataques de drones no Iraque e ameaças de mísseis no Golfo, elevando os preços do petróleo para máximos de mais de um ano.
Principais desenvolvimentos ao sexto dia de guerra, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP):
Líbano sob fogo e ameaças
O balanço das incursões israelitas no Líbano subiu esta quinta-feira para 102 mortos e 638 feridos desde segunda-feira.
O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, ameaçou transformar o subúrbio sul de Beirute (Dahiyeh) num cenário de devastação semelhante a Khan Yunis, em Gaza.
Perante ordens de evacuação imediata dadas pelo exército de Israel, centenas de milhares de pessoas iniciaram a fuga da capital libanesa num cenário de pânico e caos no trânsito.
Escalada regional e resposta da NATO
A NATO confirmou que um míssil balístico disparado do Irão tinha como alvo a Turquia, contradizendo a versão de Ancara de que o alvo seria Chipre.
O Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou esta quinta-feira ter lançado um míssil contra a Turquia, afirmando que respeita a soberania do "país vizinho e amigo".
Em Riade e Abu Dhabi, foram registados alertas de segurança máxima. Na capital saudita, diplomatas ocidentais foram instruídos a procurar abrigo, com o bairro diplomático cercado pelas forças de segurança.
Na capital dos Emirados Árabes Unidos, os sistemas de defesa aérea intercetaram uma vaga intensa de mísseis, com explosões que se ouviam em toda a cidade.
No Azerbaijão, um ataque de drones iranianos contra o aeroporto de Nakhitchevan fez quatro feridos, levando Baku a prometer represálias.
Crise naval no Índico
Um segundo navio de guerra iraniano aproximou-se das águas territoriais do Sri Lanka, um dia após um submarino norte-americano ter afundado uma fragata iraniana, causando pelo menos 87 mortos.
Teerão solicitou autorização para que a embarcação se abrigue em águas do Sri Lanka.
Base norte-americana atacada no Iraque
O exército iraniano anunciou um ataque com drones contra uma base norte-americana em Erbil, no Curdistão iraquiano.
O Irão acusou Israel e os Estados Unidos de visarem deliberadamente zonas civis para infligir o máximo de sofrimento humano.
A Rússia afirmou que o Irão ainda não solicitou ajuda militar, embora Moscovo já tenha retirado mulheres e crianças da sua embaixada em Teerão.
Coligação internacional e resposta europeia
França, Itália e Grécia anunciaram a coordenação de meios militares em Chipre e no Mediterrâneo Oriental.
Uma fragata espanhola vai juntar-se ao porta-aviões francês "Charles de Gaulle" para missões de proteção, após um ataque do Hezbollah contra uma base britânica em Chipre.
A França autorizou a presença de aviões de apoio norte-americanos na base de Istres, garantindo que não participam diretamente nas operações contra o Irão.
A União Europeia e os países do Conselho de Cooperação do Golfo exigiram, em comunicado conjunto, que o Irão cesse os "ataques injustificáveis" que ameaçam a segurança mundial.
Impacto económico e sanitário
A instabilidade provocou um choque nos mercados energéticos.
O preço do barril de WTI (referência norte-americana) subiu 5,33% para 78,64 dólares, o valor mais alto desde janeiro de 2025.
O Brent, de referência para a Europa, acompanhou a subida, fixando-se nos 84,34 dólares.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que a economia mundial está "novamente a ser posta à prova".
O setor marítimo classificou o estreito de Ormuz como "zona de operações de guerra", o que confere aos tripulantes de navios direitos reforçados, incluindo o de solicitar o repatriamento a expensas do armador.
A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) anunciou que cerca de 20.000 tripulantes e 15.000 passageiros ficaram bloqueados no Golfo Pérsico devido à guerra e à paralisia do estreito de Ormuz.
No plano humanitário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu as operações do seu centro logístico no Dubai, de onde são habitualmente expedidos "kits" de emergência médica para todo o mundo.
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