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Qatar pede que rotas marítimas não sejam usadas como meio de negociação

Estados Unidos anunciaram um bloqueio dos portos do Irão a partir desta tarde, na sequência da falta de acordo após 20 horas de negociações realizadas no fim de semana.

13 de abril de 2026 às 16:35

O Qatar pediu esta segunda-feira que as rotas marítimas não sejam usadas como meio de negociação, depois do anúncio dos Estados Unidos de um bloqueio naval no estreito de Ormuz, instando Teerão a consolidar o cessar-fogo.

O primeiro-ministro do Qatar, Mohammed ben Abdelrahmane al-Thani, "insistiu na necessidade de abrir as rotas marítimas, garantir a liberdade de navegação e abster-se de as utilizar como meios de pressão ou para negociar", durante uma chamada com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi.

De acordo com um comunicado, Al-Thani lembrou as "repercussões negativas" destas restrições à navegação, não só para os países do golfo Pérsico, cujas economias dependem quase inteiramente do comércio de hidrocarbonetos, mas também para o abastecimento mundial de energia e de bens.

O primeiro-ministro, que também ocupa o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, pediu a que "todas as partes respondam positivamente aos esforços de mediação em curso" para "abordar as causas profundas da crise" e chegar a "um acordo sustentável para evitar uma nova escalada" do conflito.

Os Estados Unidos anunciaram que vão iniciar o bloqueio dos portos do Irão a partir desta tarde, na sequência da falta de acordo após 20 horas de negociações realizadas no fim de semana na capital do Paquistão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, justificou o bloqueio do estreito de Ormuz, que liga os golfos da Arábia e de Omã, com o que disse ser a recusa do Irão em renunciar às ambições nucleares.

No mesmo comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar afirmou que ambos os políticos abordaram "os últimos acontecimentos relacionados com o cessar-fogo e a necessidade de o consolidar", sem fazer referência ao fracasso das negociações em Islamabad.

Já o chefe da diplomacia iraniana também manteve uma conversa telefónica com o homólogo da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, para abordar as negociações de paz com os Estados Unidos, de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita, que não forneceu mais detalhes.

A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão, quando decorriam negociações entre Washington e Teerão precisamente sobre o programa nuclear iraniano.

O Irão respondeu com o bloqueio do estreito de Ormuz e ataques contra alvos israelitas, bases norte-americanas na região e infraestruturas civis e energéticas de países vizinhos.

A guerra em curso provocou também subidas nos preços do petróleo, na sequência do bloqueio iraniano de Ormuz, via por onde passa um quinto da produção de energia mundial, o que fez recear uma crise inflacionária global.

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