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Sobe para sete número de membros da seleção feminina de futebol do Irão a pedir asilo na Austrália

Mais duas futebolistas receberam vistos humanitários na Austrália.

11 de março de 2026 às 07:29

Mais dois membros da seleção feminina de futebol do Irão obtiveram asilo na Austrália antes da delegação deixar o país, anunciou, esta quarta-feira, o ministro australiano dos Assuntos Internos, Tony Burke.

Com estas duas concessões, sobe para sete o número de mulheres que receberam vistos humanitários na Austrália, depois de cinco jogadoras iranianas terem pedido asilo anteriormente, disse Burke, em conferência de imprensa em Camberra.

Uma era jogadora e a outra membro da equipa técnica, sendo que ambas solicitaram asilo antes de as restantes colegas serem transportadas para o aeroporto.

A partida do resto da equipa de Sydney para regressar ao Irão ocorreu apesar de protestos no hotel que acolhia que delegação e no aeroporto.

Iranianos residentes na Austrália tentaram impedir que as mulheres deixassem o país, invocando receios pela sua segurança no Irão. O voo partiu na noite de terça-feira.

A equipa tinha chegado à Austrália para disputar a Taça Asiática antes de a guerra no Irão começar, a 28 de fevereiro. A equipa foi eliminada do torneio no fim de semana e enfrentava a perspetiva de regressar a um país sob bombardeamento.

O Governo australiano revelou, esta quarta-feira, as últimas tentativas para garantir que cada membro da equipa pudesse considerar uma oferta de asilo.

Burke explicou que, ao passarem pelo controlo fronteiriço, as jogadoras foram chamadas individualmente para falar com funcionários australianos e intérpretes, sem acompanhantes presentes.

"A Austrália fez esta oferta porque estamos profundamente impressionados com estas mulheres como indivíduos", disse.

"A escolha que a Austrália deu, a escolha de ter funcionários do Governo à sua frente a dizer que depende de ti, é uma escolha a que cada pessoa deveria ter direito", acrescentou

Algumas das jogadoras contactaram as famílias no Irão para discutir a proposta, acrescentou Burke, mas nenhum outro membro da delegação decidiu permanecer na Austrália.

"Tudo se centrou em garantir a dignidade dessas pessoas para poderem escolher", afirmou.

"Não podíamos retirar a pressão do contexto em que se encontravam, do que lhes poderia ter sido dito antes, das pressões que poderiam sentir sobre outros familiares", explicou.

As que pediram asilo receberam vistos humanitários temporários, que conduzirão à residência permanente na Austrália, disse Burke.

O ministro acrescentou que alguns elementos da delegação não receberam vistos por terem ligações à Guarda Revolucionária paramilitar iraniana.

A seleção iraniana tornou-se popular na Austrália durante o torneio, e grupos iranianos no país tinham apelado ao Governo para impedir a partida das jogadoras, depois de estas terem atraído grande cobertura mediática ao não cantarem o hino iraniano antes do primeiro jogo.

As jogadoras não explicaram publicamente porque não cantaram. Mais tarde saudaram e cantaram o hino nos restantes jogos. Durante o torneio, evitaram comentar a situação no Irão e não fizeram declarações políticas.

O destino da equipa atraiu atenção internacional, incluindo do Presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou na segunda-feira o Governo australiano por não ter oferecido asilo às jogadoras.

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