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Teerão volta a impor restrições à circulação no Estreito de Ormuz

Irão acusa os Estados Unidos de violarem os termos do acordo de cessar-fogo.

18 de abril de 2026 às 10:45

O exército iraniano anunciou este sábado que vai repor as restrições ao trânsito no Estreito de Ormuz, acusando os Estados Unidos de violarem os termos do acordo de cessar-fogo alcançado em 08 de abril.

Em comunicado, os militares explicaram que, apesar de terem concordado "de boa-fé" e "seguindo acordos prévios alcançados em negociações" em "permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e navios mercantes pelo estreito", os norte-americanos "continuam a praticar atos de pirataria e banditismo sob o pretexto de um alegado bloqueio".

Assim, o exército iraniano anunciou que o controlo do estreito está a regressar "ao seu estado anterior", o que prática significa regressar "à estrita administração e controlo das forças armadas". O Estreito de Ormuz tinha sido reaberto na sexta-feira.

"Até que os Estados Unidos cessem a total liberdade de circulação de navios entre o Irão e o Irão, a situação no Estreito de Ormuz permanecerá estritamente controlada e no seu estado anterior", acrescentou o exército, num comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB.

Já num comunicado recebido pela agência Tasnim, o comissário-geral dos portos da região central de Ormuz, Ebrahim Zolfagari, acrescentou que "o controlo do leste de Ormuz manterá o seu estatuto anterior, tratando-se de uma rota estratégica sob estrita gestão e controlo pelas Forças Armadas".

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, anunciou na sexta-feira a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz até ao fim do cessar-fogo com os Estados Unidos (EUA), na próxima quarta-feira, após o início da trégua entre o Líbano e Israel, acordada na quinta-feira.

No entanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu de que o bloqueio da Marinha norte-americana à costa iraniana continuará em vigor até que ambos os países cheguem a um acordo para pôr fim ao conflito, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.

Após estas declarações do chefe de Estado norte-americano, as agências de notícias Fars e Tasnim, ambas ligadas à Guarda Revolucionária iraniana, informaram que "se o bloqueio marítimo [dos EUA] se mantiver, tal será considerado uma violação do cessar-fogo, e o Estreito de Ormuz será encerrado".

O Comando Central dos EUA afirmou que as Forças Armadas norte-americanas "não estão a bloquear o Estreito de Ormuz", mas apenas os navios que saem ou se dirigem para o Irão.

Os Estados Unidos e Israel justificaram o ataque militar ao Irão lançado a 28 de fevereiro com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.

O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

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