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UE, Portugal e outros países europeus exigem "segurança e proteção" da missão da ONU no Líbano

Três militares, todos indonésios, foram mortos em 24 horas em dois incidentes separados no sul do território libanês.

31 de março de 2026 às 17:50

Dez países europeus, incluindo Portugal, e a União Europeia (UE), exigiram hoje que seja garantida a "segurança e proteção" da força de paz da ONU (FINUL) no Líbano, após três soldados terem sido mortos nos últimos dias.

"Exigimos que todas as partes, em todas as circunstâncias, garantam a segurança e proteção do pessoal e das instalações da FINUL", disseram os ministros dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Chipre, Croácia, França, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Portugal e Reino Unido, bem como a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que conta com cerca de 8.200 soldados provenientes de 47 países, anunciou na segunda-feira que três militares, todos indonésios, foram mortos em 24 horas em dois incidentes separados no sul do território libanês.

Na declaração conjunta, os 10 países europeus e a UE reafirmam o “forte apoio ao mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, no sul do Líbano”, e apelam para que se garanta que “os canais de desagravamento permaneçam abertos".

Os ministros denunciam ainda a "perda inaceitável de vidas".

Na declaração, apelam também a Israel “para evitar qualquer escalada adicional do conflito, incluindo através de uma operação terrestre em território libanês", enquanto condenam “veementemente os ataques do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irão".

Além disso, encorajam o Governo libanês "a manter o rumo, implementando medidas concretas e irreversíveis, a todos os níveis, para restaurar a sua soberania sobre todo o território libanês, particularmente no que diz respeito ao monopólio estatal sobre as armas".

Um “capacete azul” (como são conhecidos os militares que integram as missões de manutenção da paz) indonésio foi morto na noite de domingo no sul do país, vítima de um possível disparo de um tanque israelita, disse uma fonte de segurança da ONU à agência noticiosa francesa AFP.

Outros dois militares indonésios morreram no dia seguinte numa explosão, que poderá ter sido causada por uma mina, disse a mesma fonte à AFP.

O Governo português já tinha condenado na segunda-feira os ataques, que considerou “injustificáveis”, bem como “a violação do mandato” da missão.

“O respeito pela integridade do Líbano é urgente e inegociável”, sublinhou, numa mensagem divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que apresenta ainda condolências à Indonésia pela morte dos três soldados.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu hoje de emergência após estes desenvolvimentos no território libanês e a ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos mais recentes incidentes mortais.

O sul do Líbano está a ser bombardeado pelas forças israelitas desde que o movimento xiita libanês Hezbollah começou a disparar foguetes em direção ao norte de Israel, a 02 de março, em solidariedade com o Irão, alvo de uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos desde 28 de fevereiro.

Mais de 1.200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3.500, segundo o Ministério da Saúde libanês.

A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o mandato este ano, após quase 50 anos no terreno.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que ataques deliberados contra soldados de operações da paz são graves violações do direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.

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