Secretário-geral do PS diz que falta de convergência com o Executivo não acontece por vontade dos socialistas.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse esta noite esperar que o Presidente da República eleito, António José Seguro, possa contribuir para que o Governo responda às propostas que os socialistas têm feito em diferentes áreas.
À entrada para a reunião da Comissão Política Nacional dos socialistas, que esta noite discute os resultados eleitorais das presidenciais que deram a vitória ao ex-líder do partido António José Seguro, José Luís Carneiro referiu que, se hoje não há convergência com o Governo em diferentes áreas, "não se deve à falta de vontade do PS", que apresentou várias propostas a Luís Montenegro.
"Espero agora, que, com o contributo que o futuro Presidente da República recentemente eleito e que tomará posse no dia 09 de março, o Governo possa responder às propostas que o PS tem vindo a fazer ao longo destes meses", disse.
Assegurando que o "pressuposto fundamental" é da separação de poderes, o líder do PS explicou que Seguro foi defendendo na campanha e nos seus discursos que "quer contribuir para que os partidos se entendam em matérias fundamentais para a vida das pessoas".
"Significa que essa afirmação está em conformidade com aquilo que tem sido uma posição que temos assumido ao longo dos últimos meses, ou seja, de que é muito importante que o Governo estabeleça um diálogo, uma concertação e uma cooperação que sirvam o interesse das pessoas nas áreas do desenvolvimento", enfatizou.
Para Carneiro, a vitória de Seguro foi a vitória da "democracia, dos democratas, dos humanistas que encontraram no candidato apoiado pelo Partido Socialista o espaço para a defesa desses valores constitucionais fundamentais".
"O Presidente da República tem funções que a Constituição lhe atribui que são funções de isenção, de imparcialidade, de independência e de representação de todo o povo português. Para ter os resultados que teve, os resultados mais expressivos de sempre, recebeu votos de todos os quadrantes políticos ou partidários", apontou.
O PS, segundo o seu líder, "tem o seu caminho, tem as suas opções e não deixará de ser aquilo que deve ser, que é o principal partido da oposição que é capaz de afirmar uma alternativa credível de Governo e de resposta às preocupações que as pessoas têm".
Segundo fontes socialistas adiantaram à Lusa, dentro da reunião, Carneiro mostrou-se satisfeito com o resultado destas eleições e com o "resultado expressivo de António José Seguro", defendendo que é a confiança que está na "base de uma alternativa credível e séria" e que a vitória do Presidente da República eleito traduz o triunfo dessa base de credibilidade.
O líder do PS não esqueceu o mais de um milhão e 700 mil pessoas que votaram no presidente do Chega, André Ventura, que perdeu as eleições para Seguro.
Na perspetiva de Carneiro, entre os eleitores de Ventura estão muitos que já foram do PS, considerando que é preciso trabalhar para recuperar essa base eleitoral.
Segundo as mesmas fontes, para o líder socialista essa recuperação só se pode fazer dando resposta aos problemas dos portugueses.
O líder do PS não deixou de fora da sua intervenção perante este órgão socialista críticas a um "Governo insensível", remetendo para daqui a "muito tempo" as questões do próximo Orçamento do Estado.
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