Data final da correção dos exames adiada para dia 14, mas diretores avisam que pode não ser suficiente, enquanto docentes classificadores continuam a relatar erros e dificuldade de acesso à plataforma eletrónica.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) adiou de 10 para 14 de julho a data para conclusão da classificação digital dos exames nacionais do ensino secundário, enquanto a afixação das notas passou de dia 14 para 17. Já a 2ª fase dos exames, que estava prevista decorrer entre os dias 16 e 22, passa a realizar-se entre 20 e 24. As candidaturas para o concurso nacional de acesso ao ensino superior mantêm-se para dia 20. Em comunicado, o MECI admite que “não estando ainda concluída a distribuição dos itens para classificação, o cumprimento dos prazos inicialmente definidos implicaria uma redução do tempo previsto para cada professor”, o que representaria “um risco para a fiabilidade do processo”, tendo por isso decidido “ajustar o calendário”, lamentando “eventuais transtornos” para alunos, suas famílias, professores e escolas.
Fernando Alexandre, ministro da Educação, admitiu que ainda há “duas ou três” disciplinas em que as provas não foram distribuídas mas “a grande maioria dos professores está neste momento a poder classificar as provas”. Mas os docentes classificadores continuavam na sexta-feira a relatar no portal Metaprof inúmeras falhas na correção das respostas dadas no papel e depois digitalizadas e colocadas na plataforma eletrónica.
Eis alguns exemplos: “Tenho 58 provas corrigidas, das quais 9 entretanto desapareceram”. “O maior problema é a ausência de folhas de continuação. Pode haver situações em que isso aconteça e o professor não detete, com grave prejuízo para os alunos”. “Uma semana depois do prazo previsto, continuam a não estar acessíveis para correção os itens”. “Três das provas por mim classificadas desapareceram e foram acrescentadas duas provas que eu nunca classifiquei. Terei de assumir a classificação realizada pelo meu colega como minha?”. “Uma resposta que classifiquei surgiu, agora, com uma folha de continuação que não existia antes e que não supus que existisse”. “Entraram 114 itens novos, mas os que classifiquei desapareceram e apareceram itens classificados e gravados por outra pessoa”.
Para a Missão Escola Pública (MEP), “continua por explicar como serão resolvidos os problemas”, considerando o adiamento dos prazos “uma gestão de calendário, não uma solução”.
Docentes pedem 2.ª fase em setembro
A Missão Escola Pública (MEP) defende a realização da segunda fase dos exames apenas em setembro, tal como sucedeu em 2020 devido à pandemia de Covid-19. "Esta solução permitirá assegurar mais tempo para a classificação, maior tranquilidade aos classificadores e maior rigor na avaliação, sem comprometer férias há muito programadas por professores e famílias", afirma. Já os diretores temem não conseguir afixar as notas dia 17. “O dia D passou para dia 17, mas neste momento não sabemos se poderemos afixar as pautas nesse dia”, afirmou Filinto Lima, da Andaep.
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