Em causa estão declarações a propósito de uma eventual segunda volta, quando Cotrim Figueiredo disse que não excluiria o apoio a qualquer candidato.
Catarina Martins acusou esta terça-feira Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos eleitores que votaram antecipadamente, ao ter afirmado, na segunda-feira, que não exclui o apoio a qualquer candidato numa eventual segunda volta das eleições presidenciais.
"Pergunto-me se quem já votou, em voto antecipado, em Cotrim Figueiredo, agora pode mudar o seu voto, porque temos aqui uma fraude política. São as direitas a dizer que são iguais e eu acho que há muita gente neste país que quer ter um voto contra a indecência, a selvajaria e por uma democracia forte", afirmou a candidata presidencial.
Em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Academia de Amadores de Música, em Lisboa, Catarina Martins voltou a criticar o candidato apoiado pela IL, mas foi mais longe e acusou João Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos seus eleitores que votaram antecipadamente, no dia 11.
Em causa estão declarações a propósito de uma eventual segunda volta, proferidas na segunda-feira, quando Cotrim Figueiredo disse que não exclui o apoio a qualquer candidato e disse até que o candidato de extrema-direita, André Ventura, nos últimos dias, "parece um político diferente".
Já esta terça-feira, e na mesma altura em que Catarina Martins prestava declarações aos jornalistas, Cotrim Figueiredo assumiu que dizer que não excluía o apoio a nenhum candidato, incluindo Ventura, foi "um momento bastante infeliz" e de "falta de clareza" que associa a "um dia difícil".
"Quis mostrar claramente que não me comprometia com nenhum candidato e acabei a comprometer-me com todos, foi isso que deu origem ao equívoco, não fui claro, assumo essa falta de clareza, não consigo explicar muito bem", justificou o candidato apoiado pela IL.
Sem conhecer ainda esse esclarecimento mais recente, também Catarina Martins falou de clareza, defendendo que é preciso "saber de que lado é que se está quando se fala da extrema-direita, de quem tem vindo a semear o ódio no país".
Também sobre Cotrim Figueiredo, Catarina Martins evitou comentar a denúncia de assédio sexual feita por uma antiga assessora da Iniciativa Liberal, afirmando apenas que "toda a gente tem direito à presunção de inocência, incluindo quem faz uma denúncia".
Questionada também sobre o apoio da porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, à candidatura do socialista António José Seguro na primeira volta das eleições de domingo, Catarina Martins sublinhou apenas que está na corrida a Belém "com muita convicção", uma ideia que tem repetido ao longo da campanha.
"Estou aqui para quebrar o tabu de que as nossas cidades têm de ficar só para o turismo e não temos sítio para viver, nem o pequeno comércio pode existir, o tabu que estamos condenados a uma economia de baixo salário sem qualificação e o tabu de que uma mulher não pode ser Presidente da República", explicou.
No âmbito desse propósito, destacou o tema que a levou a visitar a Academia de Amadores de Música, que terá de abandonar o edifício onde está instalada há várias décadas numa zona histórica da capital e que será vendido pelo atual senhorio.
"O turismo tem seguramente lugar na nossa economia, mas tudo tem de ter peso, conta e medida. As nossas cidades têm de ser vivas, têm de ter habitação, têm de ter pequeno comércio, têm de ter serviços, têm de ter escolas de música, têm de ter cultura", defendeu, afirmando que Portugal não pode ser "só cenário para hotéis".
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