Numa visita aos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, candidato endereçou condolências às famílias das três pessoas que morreram alegadamente devido a falhas no socorro.
O candidato presidencial Gouveia e Melo apontou esta quinta-feira a partidarização nos cargos superiores da administração pública como uma das causas para as falhas de gestão na saúde, depois da morte de três pessoas por alegada demora no socorro.
"O que está aqui em causa não é dizer ou andar a substituir diretores executivos do SNS [Serviço Nacional de Saúde] ou diretores hospitalares, sempre que acontece um problema, porque isso é passar a culpa para baixo, para desculpar a parte de cima, que devia garantir as condições exigir e nomear as gestões corretas e verdadeiramente profissionais que são necessárias para atividades que trabalham com complexidade, com urgência e que necessariamente implicam com vidas humanas", considerou.
Numa visita aos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, o candidato endereçou condolências às famílias das três pessoas que morreram alegadamente devido a falhas no socorro, criticando a tendência de partidarizar a gestão superior da administração pública.
"Isso não é deste Governo. É deste Governo, é do anterior Governo, é dos partidos, dos principais partidos, que têm feito isso como um 'modus operandi', uma forma de operação tradicional dos partidos", sublinhou, classificando a situação como "uma grande irresponsabilidade".
Durante esta semana, já se registaram três mortes por alegado atraso no socorro: de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou três horas por uma ambulância, de um outro de 68 anos em Tavira, que esteve mais de uma hora à espera de socorro, e de uma mulher na Quinta do Conde, em Sesimbra.
Para Gouveia e Melo, existe uma "politização excessiva do problema", que considerou dever-se a falta de gestão, liderança e capacidade de organização, mas, depois, o que se vem propor como solução é passar a culpa para quem está abaixo nas hierarquias de comando.
"[...] O que se vem propor como solução é, por um lado, continuar a decapitar o sistema, as pessoas de baixo, para passar a culpa para baixo, que hoje essa proposta já foi feita, dizer que a responsabilidade é sempre a parte de baixo. E, portanto, isso é uma das opções que tem aparecido", criticou.
Sem nunca se referir a nomes, Gouveia e Melo criticava, assim, a posição assumida pelo seu adversário Marques Mendes, que defendeu esta quinta-feira que devem ser dadas explicações sobre as três mortes, em primeiro lugar pela direção executiva do SNS, que acusou de "estar desaparecida em combate", para logo de seguida lançar-se a António José Seguro, que na quarta-feira criticou a indisponibilidade de outros candidatos e partidos para contribuírem para um pacto na área da saúde.
"E a outra opção é a generalidade habitual, que é um pacto de regime, que parece que já não houve um pacto de regime com os investimentos que foram feitos na saúde. Não, o pacto de regime já existe. Atenção, os investimentos já foram feitos, o problema são as escolhas e essas escolhas, partidarizadas, escolhas que são políticas em vez de escolhas profissionais para a gestão do SNS e para a gestão da coisa pública é que está a falhar", frisou.
Questionado pelos jornalistas sobre, se fosse Presidente da República, chamaria o primeiro-ministro para debater a situação, Gouveia e Melo respondeu: "Se estivesse em Belém chamava o primeiro-ministro, porque era necessário ter uma conversa séria com o senhor Primeiro-Ministro sobre este assunto".
Aproveitando para endereçar condolências às famílias das vítimas, o candidato lamentou que Portugal tenha falhado, considerando que se trata de uma "grande irresponsabilidade", sublinhando que a solução não se resolve com "pactos de regime", mas sim com "medidas de gestão, liderança e coisas muito mais prosaicas do dia-a-dia, mas que não estão a ser feitas".
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