Antigo eurodeputado e ex-presidente da Federação do Porto do PS, falava num jantar de apoiantes do candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo, na Póvoa do Varzim.
O antigo ministro socialista Manuel Pizarro considerou esta quarta-feira que Gouveia e Melo pensa e decide sempre em consciência, enquanto outros candidatos presidenciais esperam que o seu ministro ou o seu secretário-geral lhe indiquem a posição a tomar.
Manuel Pizarro, antigo eurodeputado e ex-presidente da Federação do Porto do PS, falava num jantar de apoiantes do candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo, na Póvoa do Varzim, em que também esteve presente o ex-líder do PSD Rui Rio.
No seu discurso, Manuel Pizarro apontou como exemplo duas situações recentes para procurar estabelecer uma demarcação entre Gouveia e Melo e os seus adversários na corrida a Belém: a revisão do Código de Trabalho e a recente operação norte-americana na Venezuela.
"Perante uma operação absolutamente intolerável feita na Venezuela pelos Estados Unidos, o senhor almirante não precisou de esperar que nenhum ministro lhe telefonasse para dizer o que devia dizer, nem precisou de esperar pela opinião do secretário-geral do seu partido", declarou o ministro das Saúde do terceiro executivo liderado por António Costa, numa alusão crítica a Marques Mendes e a António José Seguro.
Segundo Manuel Pizarro, "logo no sábado de manhã, bem cedo, Gouveia e Melo explicou qual era a sua posição decente no respeito pelo direito internacional e, ao mesmo tempo, em defesa da comunidade portuguesa que vive na Venezuela".
"Os outros, depois de umas curvas à esquerda e umas curvas à direita, lá que alinharam todos com a posição" de Gouveia e Melo, sustentou.
O candidato do PS à presidência da Câmara do Porto nas autárquicas de maio passado rejeitou também o argumento de outros candidatos presidenciais de que o ex-chefe do Estado-Maior da Armada não tem experiência política, contrapondo que Gouveia e Melo não possui "experiência na politiquice".
"Eles chamam falta de experiência política àquela coisa em que se especializaram de falar, falar, falar e não dizer nada. Nunca se consegue saber o que realmente eles pensam. Quando estão na Póvoa de Varzim, dizem que é bom estar na Póvoa e é mau estar em Vila do Conde, mas se estão em Vila do Conde já dizem o contrário. E acham tudo normal", criticou.
Manuel Pizarro defendeu ainda que Gouveia e Melo é um fator de unidade nacional após um percurso profissional "patriótico" e deu como exemplo o facto de neste jantar estar sentado ao lado do ex-presidente do PSD Rui Rio.
"Só alguém com muita capacidade de liderança é que consegue uma candidatura como esta. Uma candidatura que, independentemente dos partidos, une tantas e tantos portugueses de todas as fações políticas em torno do interesse nacional", acrescentou.
Antes do antigo eurodeputado socialista e ex-líder federativo do PS/Porto, as primeiras intervenções do jantar/comício pertenceram André Machado, do movimento jovem de apoio à candidatura de Gouveia e Melo, e de Macedo Vieira, antigo presidente social-democrata da Câmara da Póvoa de Varzim.
Macedo Vieira, tal como depois faria Manuel Pizarro, salientou que a candidatura de Gouveia e Melo consegue unir "poveiros e vila-condenses", dois municípios rivais do distrito do Porto.
"Cada vez que estou com o senhor almirante, surpreende-me sempre. É um homem afável, simpático e com grande capacidade de ironia, o que só está ao alcance das pessoas inteligentes", sustentou.
A seguir, o antigo autarca social-democrata advogou o país precisa "de disciplina e de rigor e Gouveia e Melo é um homem habituado a decidir perante circunstâncias difíceis".
Antes, o mandatário jovem André Machado, que disse não ter filiação partidária, atacou quem profere discursos vazios e visou também o presidente do Chega, André Ventura.
"Há uns que dizem que estão fora do sistema, mas apenas querem destruir o sistema democrático", advertiu.
O jantar abriu com breves palavras de Gouveia e Melo, que disse que a Póvoa de Varzim é uma cidade "especial para si".
"Ainda quando era marinheiro, deram-me aqui uma camisa poveira, que ainda hoje a tenho", revelou.
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