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Jorge Pinto critica Governo português por não condenar ataque à Venezuela

Para o candidato presidencial, quando se desrespeita o direito internacional está a dar-se "carta branca a todos aqueles que acreditam na lei do mais forte".

04 de janeiro de 2026 às 13:37

O candidato presidencial Jorge Pinto criticou este domingo a posição do Governo português face ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, considerando que os portugueses mereciam ter um executivo que fosse "taxativo a condenar todas as invasões".

"Parece-me, por aquilo que foi dito por parte dos representantes do Governo, que essa condenação não foi cabal, se calhar até inexistente, e acho que os portugueses mereciam mais", disse, após ser questionado sobre a posição do executivo português em relação ao ataque norte-americano em território venezuelano.

O candidato apoiado pelo Livre falava aos jornalistas à entrada do Mercado Municipal de Angeiras, em Matosinhos, onde iniciou o período oficial de campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.

Jorge Pinto considerou que os "portugueses mereciam ter um Governo que fosse taxativo a condenar todas as invasões, todos os ataques que são ilegais aos olhos do direito internacional" e um Presidente da República que, "não esquecendo a necessidade de diplomacia", é "transparente em relação à necessidade de respeito do direito internacional".

Para o deputado, quando se desrespeita o direito internacional está a dar-se "carta branca a todos aqueles que acreditam na lei do mais forte"

"E nós em Portugal, deixem-me dizer-vos uma coisa, não somos o elo mais forte da cadeia", acrescentou.

O candidato a Belém defendeu que os portugueses merecem ter à frente do país alguém que "perceba que o que está a acontecer neste momento vai ditar o futuro das relações internacionais das próximas décadas", reiterando que não quer "regressar a um mundo parecido como o do século XIX" onde "os mais fortes decidem o futuro dos mais fracos".

Insistindo no seu repúdio ao regime liderado por Nicolás Maduro, Jorge Pinto disse "não poder estar confortável com o modo como ele foi retirado do poder".

"O que é que vai acontecer hoje? O que é que vai acontecer amanhã? Nós ouvimos o que disse Donald Trump, e claramente não há nenhum plano para o país que não seja extrair, roubar os recursos naturais do país, e estando até muito confortável com o madurismo mantendo-se no poder", disse, sublinhando que o chefe de Estado norte-americano não mostrou qualquer vontade de democratizar o país ou dar liberdade aos venezuelanos.

O candidato afirmou ainda que Portugal e a União Europeia precisa de "acordar já" ou então arrisca-se a "acordar quando a situação já for demasiado grave para todos" e com "consequências na vida diária".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu este sábado "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".

"Temos esta situação de facto e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade, governabilidade à Venezuela", disse Paulo Rangel, numa declaração à imprensa, no Palácio das Necessidades.

Os Estados Unidos lançaram, este sábado, "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

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