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Ventura diz que acordo do Mercosul vai prejudicar agricultores portugueses

Candidato criticou Marcelo Rebelo de Sousa por não se ter posicionado junto do Governo.

12 de janeiro de 2026 às 14:07
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Ventura diz que acordo do Mercosul vai prejudicar agricultores portugueses

O candidato presidencial André Ventura afirmou esta segunda-feira que o tratado entre a União Europeia e o Mercosul será "a última pedra na sepultura" da agricultura nacional, criticando Marcelo por não se ter posicionado junto do Governo.

"Há anos que estamos a destruir a agricultura. O acordo do Mercosul [mercado comum na América Latina] é a última pedra na sepultura da agricultura nacional", vincou o também presidente do Chega, que visitou hoje a Adega Cooperativa de Vila Real.

Em declarações aos jornalistas, o candidato presidencial considerou que o Presidente da República tem "uma capacidade de influenciar única", criticando Marcelo Rebelo de Sousa por não se ter posicionado e não ter tido "a palavra certa" sobre aquele acordo junto do Governo.

"Marcelo Rebelo de Sousa [...] nunca disse nada que me recorde sobre o Mercosul e agora temos os agricultores e os produtores europeus mergulhados numa concorrência absolutamente desleal com os agricultores da América do Sul, onde se produz muito mais barato, onde os salários são absolutamente esclavagistas, onde os impostos são muito menos, a competir com agricultores portugueses, espanhóis e italianos que têm que pagar muito mais impostos, têm que pagar taxas de tudo e mais alguma coisa", disse.

Para André Ventura, com este tratado, os agricultores europeus terão de concorrer com empresas e unidades "onde não se paga nada sobre o ambiente, onde não se tem taxas sobre segurança social, onde a produção é muito mais barata".

"Isto vai mandar ainda mais agricultores e produtores para a miséria", disse, considerando que a União Europeia não deveria ter avançado com o tratado, que será assinado no sábado.

Questionado sobre avançar com posições que são mais de líder do Governo do que do Presidente da República, Ventura insistiu que o chefe de Estado "devia ter tido uma palavra aos agricultores durante este processo".

"O Presidente da República não pode ficar em silêncio quando vê agricultores cada vez mais pobres", vincou, afirmando que estará ao lado dos agricultores, caso vença as eleições presidenciais.

Antes, André Ventura visitou a Adega de Vila Real, tendo como cicerones o presidente da cooperativa, Jaime Borges, e a deputada do Chega eleita por Vila Real, Manuela Tender.

"A Manuela pediu-me e eu tive de dizer que sim. O conhecimento que tenho de si é de paleio e de visual, mais nada. Eu disse: deixa vir o Ventura então para eu lhe dar um abraço", contou Jaime Borges, de 87 anos, há 30 à frente da cooperativa com cerca de 1.800 produtores associados.

Sobre a cooperativa, o responsável disse ao candidato que não tem razão de queixa: "Entra mais dinheiro do que devia".

Mas Ventura também ouviu o lamento de um setor onde fica tudo para intermediários: "o lavrador nasce pobre e morre pobre".

"Estamos numa região ótima, com produtos maravilhosos e temos o mundo a nosso favor", disse Jaime, vincando que, se a agricultura falha, tudo cai.

Questionado sobre falta de mão-de-obra, o empresário disse que por ali não se sente esse problema.

"Mão-de-obra... isso é pagá-la, seja indiana ou uma qualquer. Eu aqui não tenho falta de mão-de-obra e sabe porquê?", perguntou a Ventura, deixando logo a resposta: "Pago a toda a gente".

Pela visita, Ventura foi questionado se procurava, nesta fase, moderação, mas o candidato entendeu que, numa adega, essa não seria uma "boa palavra".

"Aqui nas adegas nós devemos é ficar entusiastas do que aqui se produz", disse Ventura, que ainda foi a tempo de uma prova de vinhos da cooperativa, onde brindou a uma ida à segunda volta.

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