Presidente do Conselho Europeu vinca que diálogo não acontecerá já e não será relacionado com o fornecimento energético.
O presidente do Conselho Europeu defende que, "no futuro", a União Europeia (UE) terá de "dialogar com a Rússia" para a paz na Ucrânia, mas vinca que isso não acontecerá já e não será relacionado com o fornecimento energético.
"As nossas relações com a Rússia não constam da agenda, mas de qualquer forma acredito que, no futuro, teremos de dialogar com a Rússia. Não sobre energia, mas sobre a segurança europeia e a paz na Ucrânia", afirmou António Costa.
Em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira sobre competitividade económica, incluindo na energia, o presidente do Conselho Europeu sublinhou: "Esse momento chegará um dia, mas não será agora".
Estas declarações de António Costa surgem depois de, em entrevistas publicadas no passado fim de semana, o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, ter defendido que as relações da UE com a Rússia podem ter de ser normalizadas e que o abastecimento de energia a preços mais baixos poderia ser restabelecido se tal diálogo melhorar.
Argumentando que as abordagens atuais (como o apoio militar a Kiev e as sanções comunitárias) ainda não foram suficientes para forçar Moscovo a pôr fim à guerra em território ucraniano, Bart De Wever disse que, sem o apoio total dos Estados Unidos, a única opção viável seria "fazer um acordo" com o Kremlin (presidência russa).
"Neste momento, devemos evitar perturbar estes esforços liderados pelo Presidente [norte-americano, Donald] Trump para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, mas é preciso estar preparado porque um dia o Presidente Trump poderá decidir não prosseguir com os seus esforços, ou um dia, infelizmente, poderá fracassar nos seus esforços", afirmou Costa.
Nesse cenário, na opinião do líder do Conselho Europeu, a UE "terá de se preparar para continuar os esforços para tentar alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia".
De momento, "a nossa principal contribuição para isso é aumentar a pressão económica sobre a Rússia e continuar a apoiar a Ucrânia por todos os meio, mas, claro, chegará talvez um momento em que teremos de substituir os esforços do Presidente Trump e envidar os nossos próprios esforços para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia", assinalou.
António Costa lembrou, ainda, que "a estratégia da UE consiste em dissociar-se da energia russa", apesar da atual situação de crise energética devido ao conflito no Médio Oriente.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a UE reduziu acentuadamente as importações de petróleo e gás da Rússia para cortar receitas que financiam a guerra na Ucrânia e reforçar a sua segurança energética.
Antes da guerra, em 2021, cerca de 45% do gás importado pela UE e cerca de 27% do petróleo vinha da Rússia, enquanto em 2024 essas importações caíram para cerca de 113% e 2%, respetivamente.
Os Estados Unidos têm vindo a atuar como mediadores neste conflito ao organizarem negociações trilaterais com a Rússia e a Ucrânia, ao proporem planos de paz estruturados que incluem cessar-fogo, garantias de segurança e mecanismos de verificação e ao facilitarem a coordenação diplomática entre aliados europeus e outros atores globais.
Apesar desses esforços, os progressos têm sido limitados devido à resistência russa.
A UE e a Ucrânia têm reiterado a necessidade de condições claras para um acordo de paz, como um cessar-fogo prévio e respeito à integridade territorial ucraniana.
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