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Hungria vai cortar gás à Ucrânia até voltar a receber petróleo russo

"Enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não receberá gás da Hungria", afirmou Viktor Orbán.

25 de março de 2026 às 11:47

O primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista Viktor Orbán, anunciou esta quarta-feira que o seu país vai suspender as exportações de gás para a Ucrânia até Kiev retomar o trânsito de crude russo para a Hungria.

"Enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não receberá gás da Hungria", afirmou Orbán num vídeo publicado nas redes sociais.

O chefe do Governo húngaro, o líder da União Europeia (UE) mais próximo de Moscovo, explicou que "o fornecimento [de gás] será bloqueado gradualmente", sem especificar um prazo para a suspensão prevista.

Em outubro de 2025, o gás húngaro representava quase metade (46%) do volume total deste combustível fóssil importado pela Ucrânia, segundo dados publicados pela Fundação Oeconomus para a Investigação Económica.

Enquanto a Ucrânia alega que o trânsito de petróleo russo pelo seu território em direção à Hungria e à Eslováquia está atualmente interrompido devido aos danos sofridos pelo oleoduto Druzhba num ataque russo no final de janeiro, Budapeste acusa Kiev de o bloquear por motivos políticos e como forma de chantagem.

Em fevereiro passado, a Hungria e a vizinha Eslováquia --- ambos países altamente dependentes do fornecimento de energia russa --- decidiram suspender as suas exportações de gasóleo para a Ucrânia em retaliação pela interrupção dos envios de crude da gigante russa Gazprom.

Além disso, Orbán mantém o veto a um empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE ao país sob ataque das tropas do Kremlin há mais de quatro anos.

A Comissão Europeia tem preparada uma proposta para proibir permanentemente as importações de petróleo russo, adiada devido aos preços que o petróleo tem atingido na sequência da guerra no Médio Oriente.

A proposta, á qual a Hungria se opõe, já tem como precedente a proibição adotada pela UE ao petróleo russo no âmbito das sanções àquele país devido à guerra na Ucrânia, mas essa proibição tem de ser renovada de seis em seis meses e contar com a unanimidade dos Estados-membros.

A Hungria e a Eslováquia têm um estatuto de exceção relativamente a estas sanções, o que lhes permite continuar a comprar petróleo russo.

O país da Europa central realiza eleições legislativas a 12 de abril, e a questão da Ucrânia é um dos principais focos da campanha do partido Fidesz, de Orbán, que acusa o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de querer derrubar o seu Governo.

As sondagens indicam que o Fidesz poderá perder o poder depois de o ter mantido com uma larga maioria nos últimos 16 anos e preveem uma vitória para o partido da oposição Tisza, liderado pelo conservador Péter Magyar.

A mais recente sondagem sobre intenções de voto, publicada pelo Centro de Investigação 21, mostra uma vantagem de 10 pontos percentuais para o Tisza, que obteria o apoio de 51% dos húngaros, contra 41% para o partido no poder.

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