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"Violou-me e matou o meu marido": Relatos de violações de mulheres ucranianas aumentam todos os dias

Em Bucha há nove jovens entre os 14 e 24 anos, grávidas depois de várias violações por militares russos.

12 de abril de 2022 às 09:40

"Com uma arma apontada à cabeça, levou-me até uma casa perto de nós. Ordenou que tirasse a roupa ou disparava". As tropas russas começaram a abandonar as cidades circundantes de Kiev e os relatos dos moradores começam a emergir. Anna (nome fictício), de 50 anos, foi uma das vítimas de violações por soldados russos durante as ocupações das cidades ucranianas.Segundo contou à BBC, Anna foi violada a 7 de março por um homem jovem e magro que parecia ser um militar da Chechénia que se tinha aliado às tropas russas."Enquanto me violava, entraram mais quatro soldados. Pensei que estava tudo perdido. Mas eles levaram-no. Nunca mais o vi", contou. Anna acredita que foi salva por uma outra unidade de soldados russos. O marido levou vários tiros no abdómen quando tentava salvar a mulher e, sem poder ir ao hospital, acabou por morrer dois dias depois do ataque.Mas uma outra mulher também já tinha sido vítima de uma violação, aparentemente pelo mesmo homem, a alguns metros de distância da casa de Anna. A vítima de 40 anos foi levada para uma casa abandonada, onde foi encontrado um espelho com uma mensagem escrita: "Torturada por desconhecidos, enterrada por soldados russos". Oksana, uma vizinha, disse ao canal de televisão britânico que o espelho tinha sido ali deixado por soldados russos que encontraram o corpo da mulher e a enterraram. "Eles [soldados russos] disseram-me que ela tinha sido violada, que a garganta tinha sido cortada e que sangrou até à morte. Disseram-me que havia muito sangue". A mulher acabou enterrada no jardim da casa."A 9 de Março, vários soldados do exército russo entraram numa casa. O marido tentou proteger a mulher e o filho. Por isso, alvejaram-no", conta Andrii Nebytov, comandante da polícia de Kiev. "Depois, dois soldados violaram repetidamente a esposa. Eles iam embora e depois voltavam. Regressaram três vezes para a violarem. Ameaçaram que, se ela resistisse, magoariam o seu filho. Para proteger o filho, não resistiu". Quando os soldados partiram, queimaram a casa e mataram o cão da família. A mulher e o filho escaparam.De Bucha chegam mais notícias de vítimas de violações por soldados russos. Lyudmyla Denisova, Provedora dos Direitos Humanos da Ucrânia, diz que estão a documentar vários casos deste tipo."Cerca de 25 mulheres, entre os 14 e 24 anos, foram sistematicamente violadas durante a ocupação de uma cave, em Bucha. Nove delas estão grávidas", contou. "Os soldados russos disseram-lhes que as violariam ao ponto de não quererem contacto sexual com nenhum homem, para as impedir de ter filhos ucranianos".Denisova diz que a Ucrânia quer que seja criado um tribunal especial pelas Nações Unidas para julgar Vladimir Putin por crimes de guerra, incluindo violações.

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