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Selecionador viu Bélgica indiferente à titularidade de Balogun

"Isso nunca mudou a maneira como jogámos", disse o treinador francês Rudi Garcia, em conferência de imprensa, no fim da partida.

07 de julho de 2026 às 08:21

A Bélgica defrontou os Estados Unidos indiferente à titularidade do futebolista Folarin Balogun, cujo castigo foi suspenso pela FIFA, afirmou na segunda-feira o selecionador belga, após a goleada nos oitavos de final do Mundial2026 (4-1).

"Isso nunca mudou a maneira como jogámos. Nada mudou em termos de desempenho e motivação. A nossa principal motivação era chegar aos 'quartos'", sublinhou o treinador francês Rudi Garcia, em conferência de imprensa, no fim da partida disputada no Estádio Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.

A Bélgica apurou-se para os 'quartos' do Mundial2026, ao vencer os coanfitriões Estados Unidos, com golos de Charles De Ketelaere (nove e 33 minutos) e dos suplentes Hans Vanaken (57) e Romelu Lukaku (90+3).

Pelo meio, Malik Tillman ainda empatou de livre direto (31 minutos), na sequência de uma falta sobre Balogun, autor de três dos 11 golos norte-americanos na prova, que também é organizada por México e Canadá.

A Bélgica jogou sob protesto, um dia depois de a FIFA suspender por um período probatório de um ano a suspensão de uma partida determinada a Balogun, que tinha sido expulso com cartão vermelho direto na segunda parte da vitória frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), na ronda anterior, mas pôde alinhar nos 'oitavos', após uma intervenção junto da FIFA do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Os meus jogadores estavam informados [dessa possibilidade]. Temos um grupo maduro e líderes presentes, mas focámo-nos em nós. Balogun é um avançado interessante, mas não tive dúvidas de que os nossos centrais seriam capazes de contê-lo bem", analisou Rudi Garcia, aludindo a Brandon Mechele e Nathan Ngoy, ambos titulares no eixo defensivo belga.

O selecionador da Bélgica revelou ter conversado no fim do jogo com o ponta de lança dos Estados Unidos, que "não teve absolutamente nada a ver" com a polémica desencadeada pela decisão do Comité Disciplinar da FIFA.

"Ele não tem culpa disto tudo nem devemos culpá-lo e eu já lhe disse isso. Apreciei a sua intenção em vir falar comigo e a maneira como se comporta. Por isso, agradeci-lhe", partilhou.

Já o selecionador dos Estados Unidos, o argentino Mauricio Pochettino, rejeitou que o ruído em redor de Balogun tenha afetado a equipa norte-americana e evitou "arranjar desculpas", até porque a Bélgica "foi melhor", apesar de estar "frustrado e desapontado com quem misturou as coisas".

"Qual é o sentido de ter sido insultado e recebido mensagens negativas e ameaças? Há uma regra que a federação pode aplicar para que o jogador pudesse atuar. A minha função é treinar e, se Balogun estava disponível, porque foi autorizado, não há problema. Senti-me desiludido com muitas pessoas, que falaram de política, manipulação, ética e integridade", disse.

Horas antes do encontro dos 'oitavos', o Comité de Apelo da FIFA rejeitou o protesto da Real Associação Belga de Futebol (RBFA) sobre a suspensão do castigo de Balogun, permitindo que o jogador estivesse disponível.

A RBFA notificou a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) que contestará a elegibilidade do avançado, de 25 anos, após ter lamentado a ausência de explicações da FIFA, acusando-a de criar um recurso artificial.

A decisão foi anunciada no domingo e assentou no artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA, através do qual "o órgão competente pode decidir suspender total ou parcialmente a execução de uma medida disciplinar".

Donald Trump confirmou ter solicitado ao presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, a reavaliação do cartão vermelho mostrado a Balogun, por considerar que o avançado não cometeu falta sobre Tarik Muharemovic, cujo calcanhar direito foi pisado numa disputa de bola.

Infantino defendeu a independência dos órgãos judiciais da FIFA e rejeitou qualquer interferência na suspensão dos efeitos do castigo, enquanto a UEFA acusou o organismo de ter tomado uma decisão "sem precedentes, incompreensível e injustificável", que fez ultrapassar "uma linha vermelha" nas regras da modalidade.

Na sexta-feira, em Inglewood, a Bélgica, terceira classificada em 2018, vai discutir o acesso às 'meias' do Mundial2026 com a campeã europeia Espanha, vencedora em 2010, que eliminou nos 'oitavos' Portugal (1-0), detentor da Liga das Nações.

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