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Dia 5: "Berlim está a arrebatar-nos"

José e Francisca, pai e filha, escolheram o CM para relatar interrail pela Europa.
31 de Julho de 2015 às 18:32
José Oliveira, e a filha, Francisca, em Berlim
José Oliveira, e a filha, Francisca, em Berlim FOTO: DR
Francisca Oliveira, 14 anos, e José Oliveira, 49 anos, estão a fazer um interrail pela Europa. E contam tudo no site do Correio da Manhã.

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"O dia não correu como o esperado. Saímos do hotel determinados e cheios de vontade de conquistar a cidade. Regressamos cansados, destroçados... Fomos completamente esmagados por Berlim, que nos dominou completamente. Se Paris nos encantou, Berlim esta a arrebatar-nos .

 

O dia começou cedo. Estávamos em pulgas para por os pés ao caminho. Tínhamos como ponto de referência a (Fernech-turm) que se avistava da porta do hotel. Sem grande cuidado fomos seguindo na sua direção. Pelo caminho e desde logo fomo-nos deparando, com uma cidade cheia de história.

 

Despreocupados chegámos à dita torre e mesmo ao pé desta encontra-se a agora turística Alexendreplatz. Eram já 10.30 e parecia uma cidade a espreguiçar-se, tudo começava a acontecer lentamente, moderadamente. Aproveitámos e visitámos uma série de edifícios históricos ali à volta.

 

Esta é a parte oriental da antiga cidade de Berlim, riquíssima em história. Sentimos que os alemães não escondem a sua e a nossa história recente. Tropeçamos constantemente em episódios e locais que de algum modo nos são familiares.

 

Procuramos um mapa da cidade, pois ficamos logo com a sensação de que a tarefa de abraçar Berlin em dois dias ia ser difícil, teríamos de nos organizar.

Pelas 12h regressamos a AlexandrePlatz. Tínhamos decidido fazer uma incursão gastronómica. Íamos almoçar por ali, numas barracas de comida de rua, onde se vendiam as clássicas salsichas com uns molhos (curryWurst) e umas salchichas no pão e bretzel (pão tradicional alemão em forma de nó).

Embora a Praça estivesse quase toda preenchida com barraquinhas de vendedores da américa latina, tao conhecidos das nossas feiras, havia qualquer coisa no ar que nos fez ir ficando.

Começamos a ver que o local agora e sem avisar se encontrava cheio de gente, e de repente começaram quase em simultâneo a acontecer espectáculos de rua, que se sucediam.

Primeiro um grupo de dançarinos, que inicialmente achamos apenas curioso. Eram uns oito e dançavam uma mistura de dança moderna, hip hop, e íamos a afastar-nos e de repente começa a tocar uma música, que eu já tinha ouvido com o pai no festival Nos Alive e tocada pelos Dead Combo, e que era a musica do Zorba o grego, que estava a ser dançada por todos eles. Ficamos e connosco foram-se juntando mais e mais pessoas e num ápice eramos muitos. O pai explicou-me o simbolismo da situação e eu acho que entendi. Mas, o que foi importante foi que a partir dai, já não conseguimos sair e ficamos a ver o espectáculo ate ao fim. Foi muito bom.

Achamos que valia a pena ir circulando, a espera de sermos surpreendidos a qualquer momento. O pai achou que era importante provar uma cerveja alemã. Pediu uma Berliner Kind. "Muito boa, sim senhor", disse com um tom efectivamente aprovador.

Sentamo-nos no chão para ver um espectáculo que ia começar dai a instantes. Um sujeito meio mágico, meio mimo cómico. O artista chama uma rapariga escolhida do publico e depois de alguma encenação e por gestos diz que precisa agora de um homem forte, e começa a procurar por entre o aglomerado de gente que se juntou e ... tchan tchan... aponta para o pai... sim, para o pai! E agora?!

E não é que o pai foi servir de parceiro do artista magico/cómico. Eu por dentro com um nervosinho no estomago, só pensava: "oh pai tu vê la, não me envergonhes". Safou-se, correu-lhe bem o espectáculo. Este episódio reforçou a boa disposição para o resto do dia.

Retomamos o rumo. Agora o destino era Brandenburger Tor (Portas de Brandeburgo). A partir daqui deixamo-nos ir, e a medida que íamos avançando eramos confrontados com mais um edifício, um monumento, um vestígio, parece que foi aqui que tudo aconteceu, que toda a história recente da humanidade teve aqui o seu início.

Não existe termo mais exacto do que bombardear. Foi exactamente isso que nos aconteceu. Fomos bombardeados por pedaços historia. A cada instante, a cada esquina, de um lado e de outro da rua, havia sempre um monumento, um memorial, um edifício... impressionante. Arrasador.

Tudo reconstruido, recuperado, melhorado , mas vivo... Os vestígios estão ali todos, visíveis, a mostra... Muitos espaços abertos ao público e gratuitos, pelo menos parcialmente.

Partindo da AlexandrerPlatz, passando pela Fernsehturm (torre de televisão de Berlin) iconográfica da cidade, logo a seguir Rotes Rathaus, (Edifício da Camara de Berlin) , depois a Nikolaiviertel (antiga Igreja adaptada para exposições) a Berliner Dom (Catedral de Berlin) A biblioteca subterrânea, os museus, o Museum Sinel e o Zeughaus (Opera), a Universidade de Humolt, as estatuas de karl Marx e Hengels, desviamo-nos um pouco e fomos ver o monumento de homenagem as vitimas do Holocausto e eram já 17 horas quando por fim chegamos as Portas de Brandeburgo. Vimos uma cidade em construção, onde o novo e o velho se misturam harmonicamente. A imagem de que tudo é imperial, pela dimensão, pelo estilo, pelos dourados, ficou na memória.

Parámos para recuperar do tanto que tínhamos acabado de ver e ainda outro tanto se nos oferecia. Decidimos por unanimidade, contrariando o nosso principio de que as cidades são para ver no solo e a pé, de que iriamos recorrer aos serviços do BerlinCity Tour. Assim conseguimos no espaço de duas horas passar pelo Reichsatg (parlamento alemão) pela residência oficial do chefe de Governo (a nossa conhecida Angela), O Obelisco Siegessaule, circular por entre os edifícios das embaixadas, a da Rússia, EUA e Inglaterra, todas enormíssimas e pertinho umas das outras, depois passámos pela Kurfurstaendem, vimos restos do muro (Maurreste) e passamos pelo Checkpoint Charlie, que achamos muito engraçado e onde saímos pai tentou explicar-me o que foi a guerra fria e o que era aquilo do "Charlie Point". Por aqui vendem-se restos do muro aos pedacinhos pequeninos por todo o lado.

Descobrimos que o símbolo de Berlin é um urso, que se vê de todas as formas e feitios e espalhado por toda a cidade.


O pai mostrou-me um carro de marca Trabant, que era o carro "oficial" dos antigos alemães do Leste. O que vimos estava todo pintado e muito colorido.

Resolvemos ir ao hotel, antes de jantar mas não foi possível, o pai Zé perdeu o rumo novamente. Depois de mais de duas horas alegremente e a deriva, fomos jantar. Com coragem avançámos outra vez para a comida típica alemã. Veredicto: nada de especial.

Com dificuldade chegamos ao Hotel. São 24h. Vamos dormir.
Ate já.

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