Grécia faz esperar Europa
Lista de reformas só é enviada hoje.
A Grécia falhou ontem o prazo dado pelo Eurogrupo para a apresentação da lista de reformas económicas, de cuja aprovação depende o acordo alcançado na passada sexta-feira para o prolongamento por quatro meses da assistência financeira ao país.
O prazo expirava à meia-noite de ontem e, não obstante as várias promessas feitas ao longo do dia pelo Executivo de Atenas, acabou por não ser cumprido. Um porta-voz do governo grego assegurou que o documento, de seis páginas, será enviado ao Eurogrupo esta manhã, e será discutido pelas partes numa teleconferência com representantes do FMI e do Banco Mundial esta tarde.
De acordo com a mesma fonte, o plano incluirá reformas estruturais para combater a evasão fiscal e a corrupção, recuperar o crédito malparado, restruturar o setor público e reduzir a burocracia, bem como propostas para combater a "crise humanitária" causada pelas medidas de austeridade impostas pela troika.
A primeira versão do documento, enviada domingo aos parceiros europeus para ser avaliada, indicava, segundo o diário alemão ‘Bild’, que o governo grego espera arrecadar com as novas medidas cerca de 7,3 mil milhões de euros, dos quais 2,5 mil milhões através de impostos sobre as grandes fortunas. O combate ao contrabando de combustível e tabaco permitiria arrecadar mais 2,3 mil milhões, ao passo que o combate à evasão fiscal renderia outros 2,5 mil milhões de euros. Este dinheiro seria usado em parte para financiar as medidas sociais anunciadas pelo governo de Alexis Tsipras, incluindo a ajuda alimentar e a eletricidade gratuita para os mais pobres e o acesso universal gratuito à saúde.
Juncker critica postura de Atenas
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou ontem a hostilidade da Grécia para com a Alemanha nas negociações, afirmando que pode conduzir a "um aumento do ressentimento" entre os dois países.
"Quando um primeiro-ministro insulta os alemães duas vezes numa semana, isso não me parece uma forma muito conseguida da arte de governar. Pelo contrário, conduz a um aumento do ressentimento", afirmou Juncker numa entrevista a uma semanário alemão. "Há demasiadas fórmulas incorretas [no debate] em Atenas. Mas isso vai mudar com o tempo", acrescentou.
O presidente da Comissão Europeia criticou ainda a decisão grega de aumentar o salário mínimo para 751 euros a partir de 2016. "Se a Grécia o fizer, haverá seis países da Europa com um salário mínimo inferior", frisou Jean-Claude Juncker.
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