Mulher processa Johnson & Johnson por ter desenvolvido cancro e é indemnizada em 35 milhões de euros
Doença está associada à exposição excessiva ao amianto, substância que se encontra no pó de talco da empresa.
Um júri de Los Angeles, EUA, decidiu que a empresa Johnson & Johnson tem de pagar mais de 35 milhões de euros a uma mulher que desenvolveu mesotelioma, um tipo de cancro associado à exposição excessiva ao amianto, substância essa que se encontra no pó de talco da empresa. A decisão foi conhecida na passada sexta-feira, dia 27.
Nancy Cabibi, de 71 anos, foi diagnosticada com um cancro que costuma surgir nos pulmões. Desde que descobriu a doença, em 2017, a mulher foi submetida a diversas cirurgias, quimioterapia, radiação e imunoterapia.
A causa exata para o aparecimento do mesotelioma está ainda por descobrir, mas há várias evidências indicam que o amianto pode alojar-se nos pulmões, corrompendo a genética material nas células e consequentemente contribuindo para o desenvolvimento do cancro.
Os advogados de defesa da Johnson & Johnson alegaram que a doença poderia ter surgido devido ao facto de Nancy ter vivido numa zona industrial e ter estado exposta ao amianto, no entanto isso não mudou a opinião do júri norte-americano.
Este tipo de cancro é comum entre pessoas que trabalham em fábricas porém, Cabibi nunca trabalhou em nenhuma fábrica. O júri determinou que a exposição atmosférica não seria suficiente para o desenvolvimento do cancro.
Não se sabe quanto tempo e quanto do produto daquela empresa a mulher usou mas esta alegou que se servia dos artigos regularmente.
Assim que foi descoberta a doença, o tecido corporal afetado foi testado quanto à exposição de amianto e o teste revelou a presença de duas variedades diferentes do mineral que foram confirmados na composição de alguns produtos da Johnson & Johnson. Esses mesmo produtos foram usados pela mulher.
Foram apresentados mais de 14 mil processos que alegavam que o pó de talco para bebés da Johnson & Johnson desencadeou casos de cancro nos ovários e mesotelioma. O valor pago a Cabibi aumenta a despesa da empresa em indemnizações para mais de 45 mil milhões de euros.
Em média, as pessoas afetadas com este tipo de cancro vivem entre 12 a 22 meses desde que são diagnosticadas. A percentagem de pessoas que vivem cinco anos é apenas de 4%.
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