No discurso do Estado da União, presidente dos EUA afirmou que o país está "mais forte do que nunca".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, vangloriou-se na noite de terça-feira de ter conseguido uma "recuperação histórica" para os Estados Unidos, apesar das sondagens mostrarem o descontentamento dos eleitores com o seu primeiro ano do mandato.
"Esta noite, passado apenas um ano [de ter tomado posse], posso dizer com dignidade e orgulho que alcançámos uma transformação sem precedentes e uma reviravolta histórica. Nunca voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo", afirmou Trump no seu primeiro discurso sobre o Estado da União perante o Capitólio.
O chefe de Estado afirmou que o país está a passar pela "época de ouro".
"A nossa nação está de volta. Maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca", afirmou, sendo aplaudido pelos aliados no Congresso.
O Presidente começou por destacar a sua política económica, defendendo que a mesma impulsionou o mercado de trabalho e a indústria nacional --- na esperança de convencer os americanos, cada vez mais céticos, de que a economia está mais forte do que muitos acreditam.
"A economia está mais forte do que nunca", defendeu.
Contudo, especialistas em economia dizem que os salários estão a ser superados pelo elevado custo de vida, como moradia, creches e saúde cada vez mais caros.
Sondagens da Associated Press-NORC mostram que a maioria dos americanos não acha que o país esteja no bom caminho a nível económico.
Cerca de dois terços dos adultos americanos continua a dizer que a economia do país está "má.
"De 1776 até hoje, cada geração de americanos tem-se apresentado para defender a vida, a liberdade e a busca da felicidade para as gerações futuras. Agora, é a nossa vez. Juntos, estamos a construir uma nação onde cada criança tem a hipótese de ambicionar mais e ir mais longe - onde o Governo responde ao povo, não aos poderosos --- e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores são sempre a nossa primeira e última preocupação", afirmou o Presidente.
O líder norte-americano aproveitou para abordar a decisão tomada pelo Supremo Tribunal na passada sexta-feira, que decidiu que Trump excedeu a autoridade ao impor tarifas abrangentes a vários países usando uma lei reservada para emergências nacionais, e derrubou parte dessa política tarifária.
Trata-se de um raro revés para o Governo no Supremo, que possui uma maioria conservadora.
Mas o magnata republicano garantiu, perante os juízes que assistiam ao discurso no Capitólio, que usará outras leis para aplicar as tarifas, "levando a uma solução ainda mais forte do que antes".
Trump também classificou o seu antecessor, Joe Biden, como um "desastre" e atribuiu ao ex-Presidente democrata o "problema habitacional" no país.
Nos primeiros minutos do discurso, o congressista democrata Al Green foi escoltado para fora do plenário enquanto os republicanos entovam: "Estados Unidos da América, Estados Unidos da América".
Al Green segurava uma placa com a frase "Pessoas Negras Não São Macacas!", numa aparente referência à imagem publicada recentemente por Donald Trump nas redes sociais, que retrava o ex-presidente Barack Obama e antiga primeira-dama Michelle Obama como macacos.
Este foi o segundo ano consecutivo em que o democrata do Texas foi retirado do plenário enquanto o Presidente discursava no Congresso.
Donald Trump faz esta terça-feira o primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato, perante uma sessão conjunta do Congresso.
O Presidente já havia discursado diante dos congressistas em março do ano passado, durante um tempo recorde de uma hora e 40 minutos, mas esse pronunciamento não foi tecnicamente um discurso sobre o Estado da União.
Normalmente, os Presidentes iniciam o mandato com um discurso conjunto no Congresso no início do primeiro ano de mandato e, nos anos seguintes, passam a fazer discursos formais sobre o Estado da União.
Dezenas de congressistas democratas não compareceram ao discurso de Donald Trump como forma de boicote.
A congressista Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova Iorque, junta-se à lista de dezenas de democratas proeminentes que estão a boicotar o discurso do Presidente.
Muitos deles participaram num evento paralelo, denominado "Estado da União do Povo", convocado pela plataforma MoveOn, que decorre perto do Capitólio, em Washington.
Nas vésperas do discurso sobre o Estado da União, sondagens mostram que quase 70% dos norte-americanos considera que o Presidente não está a dar a devida atenção aos problemas mais importantes do país.
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