Onda de revolta é a mais grave desde o período do apartheid.
Onda de revolta é a mais grave desde o período do apartheid.
A África do Sul vive desde sexta-feira uma onda de revolta que o presidente Cyril Ramaphosa classificou como a mais grave desde antes do fim do apartheid, selado em 1991. Mais de 70 pessoas morreram e quase 1300 foram detidas durante tumultos iniciados após a detenção do ex-presidente Jacob Zuma.
Centenas de centros comerciais e outras lojas foram saqueadas, entre eles comércios de portugueses, e vários estabelecimentos e edifícios foram incendiados. As imagens dramáticas de uma mãe a atirar a filha bebé do terraço de um prédio em chamas para os braços de populares correu mundo. A violência levou o presidente a colocar tropas nas ruas nas províncias de Gauteng e KwaZulu-Natal, de onde Zuma é originário.
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A detenção de Zuma foi o gatilho que disparou uma revolta que se avolumava há muito, contra a pobreza e a injustiça, agravadas pelas restrições da pandemia, pelas quais Ramaphosa é responsabilizado.
Zuma, condenado a 15 meses de cadeia, é o primeiro ex-presidente da África do Sul democrática a ser detido. Mas essa vitória do sistema judicial fica manchada pela desordem em curso, reveladora das divisões e ódios que persistem no país que Mandela pacificou e uniu.
As cicatrizes deixadas pelos mais de 40 anos de apartheid na África do Sul ficam à vista com esta onda de violência. Perante o caos e as pilhagens, alguns moradores da cidade portuária de Durban, pertencentes à minoria branca no país, recorreram a armas e tacos de basebol para bloquear estradas, acessos a zonas residenciais e a lojas.
Moradores armados bloqueiam ruas durante saques na África do Sul
O peso do apartheid
Em 1948, a minoria branca instituiu o regime de apartheid. O Partido Nacional venceu nesse ano as eleições graças à promessa de solucionar o problema da chegada às grandes cidades de milhares de negros que deixaram a agricultura. A ‘solução’ foi a segregação racial.
O apartheid dizia ser um regime de "igualdade na separação". Mas condenou os 70% da população negra a viver em 13% do território nacional, sendo o restante reservado a brancos, pessoas de raça mista e asiáticos.
Em 1955, o Congresso Nacional Africano (ANC) reuniu uma coligação de grupos opostos ao apartheid, incluindo brancos e asiáticos. Massacres e detenções em massa não travaram a luta por justiça e liberdade.
Longa caminhada para a liberdade
Cumprem-se, a 14 de setembro, 30 anos sobre a assinatura do acordo que enterrou o apartheid na África do Sul. Nelson Mandela, o presidente Willem de Klerk e o líder do Inkatha Freedom, Mangosuthu Buthelezi, assinaram o Acordo Nacional de Paz, que abriu caminho às primeiras eleições democráticas, em 1994.
Mandela e o ANC foram a voz mais sonora e unificadora no combate ao sistema racista e essa foi uma luta com preço pessoal bem pesado para o futuro Nobel da Paz.
Após detenções esporádicas nos anos 50 e 60, entrou na clandestinidade em 1961 e liderou o braço armado do ANC. Detido em 1962, foi condenado a 5 anos de cadeia por sair do país ilegalmente e incitar uma greve. Em 1963 foi um dos arguidos do infame Julgamento de Rivonia.
Condenado a prisão perpétua em 1964, só seria libertado em 1990, após 27 anos na cadeia, passados na sua maior parte em Robben Island. Embora detido, foi sempre motor e símbolo da luta pela liberdade.
Em 1994, 30 anos após a sentença que quis travar-lhe a luta e a vida, tornou-se o primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul. Legou aos sucessores um país unido, mas, como o caso Zuma ilustra de forma dramática, nenhum foi ainda digno dessa herança.
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