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Aprenda a proteger-se do novo coronavírus quando viaja de avião

Antes de tomar a decisão de viajar, deve ter em conta alguns aspetos para decidir se vale a pena o risco. Saiba o que deve ter em conta.
Correio da Manhã 2 de Setembro de 2020 às 17:29
Avião
Avião FOTO: Getty Images

Qualquer atividade em público durante a atual pandemia do novo coronavírus acarreta sempre algum risco.

Apesar de a circulação aérea já ter sido reestabelecida, após largos meses de paragem, algumas pessoas ainda têm receio de viajar de avião, uma vez que se trata de um espaço fechado que comporta muitas pessoas.

Medidas como o uso obrigatório de máscara, melhoria na limpeza e desinfeção e limitação do número de assentos são algumas das medidas genericamente impostas para responder à pandemia da Covid-19.

"Com base nos sistemas de ventilação das aeronaves, acho que seria muito improvável que houvesse um evento de super propagação em que 50 pessoas no voo adoecessem por causa de uma pessoa", confessou Henry Wu, médico sénior da Universidade de Emory, ao site americano de saúde Healthline

"Uma vez que o risco não pode ser totalmente mitigado, aconselho os viajantes a pensarem cuidadosamente na importância da viagem, bem como nos seus fatores de risco pessoais ou nas pessoas da sua família, caso sejam pacientes de risco com doenças graves", advertiu Wu.

Proximidade nos lugares
Várias companhias aéreas limitaram o número de lugares nos seus voos mas também houve algumas que se recusaram a fazê-lo, já que perderam meses de faturação devido à pandemia da Covid-19.

Arnold Barnett, professor de gestão científica e estatística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, estima que, se todos os lugares forem preenchidos, a probabilidade de contrair o vírus é de 1 em 4.300. Por outro lado, se o lugar do meio não estiver ocupado e o avião tiver então uma ocupação de dois terços, a probabilidade é de 1 em 7.700. "Pessoalmente não acho que seja uma probabilidade assim tão baixa (...). É mais ou menos o mesmo risco do que estar duas horas em solo", explicou o gestor.

Com os seus cálculos, Arnold descobriu ainda que é mais provável morrer por contrair o vírus no avião do que morrer num acidente aéreo.

Henry Wu assumiu ser possível que alguém transmita o vírus à pessoa que está ao seu lado, mas que é algo difícil de provar, até porque viajar de avião envolve o contacto com várias pessoas (que podem ser de países considerados de risco), nomeadamente no aeroporto, na casa de banho, no próprio avião, etc.


Duração do voo
A duração da viajem é também um fator a ter em conta. "(…) Os voos variam em duração e, quanto mais longo o voo ou a exposição a esta situação, maior o risco", alertou Wu à mesma publicação. "Portanto, um voo de 4 horas terá o dobro do risco de um voo de 2 horas", exemplificou.

Distância de segurança
Henry Wu recomenda que deixe tanto espaço quanto o possível entre si e outras pessoas (no mínimo dois metros). "Acho que, idealmente, quanto mais espaço se puder colocar entre as pessoas num voo ou em qualquer lugar, melhor", disse Wu.


Ventilação
Henry considerou a ventilação do ar nos aviões "muito boa" devido às trocas frequentes de ar e ao uso de filtros. Mas, ainda assim, "ventilação ou filtração altamente eficiente não elimina o risco daqueles que estão imediatamente em nosso redor", avisou. Uma falha na ventilação poderia potenciar a transmissão do vírus.

Dicas gerais para se proteger
Os especialistas aconselham que pague pelo embarque prioritário e que escolha um lugar à janela na última fila oposta à casa de banho.

"Eu esperaria no meu lugar até que toda a gente saísse do avião e depois saía eu", referiu ao Healthline Durland Fish, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública de Yale em Connecticut, nos Estados Unidos da América.

Quanto ao uso da casa de banho, Durland aconselha o uso da da aeronave em detrimento da do terminal, porque é frequentada por mais pessoas.

"Eu esperaria numa área isolada com vista para a área de embarque pela conexão aérea. Também traria a minha própria água e comida", aconselhou.

Arnold Barnett refere ainda que escolheria um voo de uma companhia aérea que mantenha os lugares do meio vagos.

"E viajar de uma área de alta incidência para uma de baixa incidência pode resultar na disseminação da infeção também. Portanto, funciona nos dois sentidos", rematou Henry Wu.

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