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Autor da primeira biografia de Leão XIV diz que Papa mantém mensagem de Francisco, mas é menos provocador

Autor considerou que a política recente foi "muito boa para compreender quem é Prevost", que mostra "serenidade e não tem medo" de outros protagonistas mundiais.

20 de abril de 2026 às 18:45

O autor da primeira biografia de Leão XIV considera que o confronto de opiniões entre o Papa e o Presidente Donald Trump mostrou "o rugido" do Papa, que é mais institucional do que o seu antecessor.

"Ouvimos um rugido de Leão que não esperávamos", disse Jesus Colina, brincando com o nome do pontífice, numa conferência subordinada ao tema "Os desafios da Igreja no pontificado de Leão XIV".

Mas é "um Leão que ruge da maneira como é Robert Prevost [nome de nascimento do atual Papa], de um modo muito institucional", que "tem uma mensagem como Francisco, mas não tem a provocação de Francisco", disse o jornalista durante o encontro "Vaticano in loco", organizado para jornalistas portugueses em Roma.

Os discursos sobre o risco das tiranias e a defesa da paz motivaram críticas da administração norte-americana e do próprio Donald Trump ao Papa de origem norte-americana, com trabalho pastoral no Peru e na direção mundial da Ordem dos Agostinhos.

"É interessante como alguns dos discursos que incomodaram Trump não eram dirigidos a Trump, mas à humanidade", recordou Jesus Colina.

O autor considerou que a política recente foi "muito boa para compreender quem é Prevost", que mostra "serenidade e não tem medo" de outros protagonistas mundiais.

"A paz para ele é muito importante", afirmou o biógrafo, que investigou a vida de Prevost para escrever o primeiro livro sobre Leão XIV, logo após a sua eleição, há um ano.

"Os jornalistas precisam de títulos, imagens e manchetes. Leão XIV é chato e há que aceitar", afirmou Jesus Colina, comparando-o com Francisco.

Com um comportamento mais discreto, "Leão XIV faz de propósito, porque é a sua personalidade", mas também porque sabe que a "unidade da Igreja é sensível" e "um erro" pode colocar em risco a coesão da instituição.

Por isso, "levou um ano a escutar todos, sem tomar decisões", para avaliar que passos tomar, mas a polémica recente em que Trump o envolveu mostra o seu peso político.

"Num mundo sem valores, em que faltam vozes morais, de repente esta voz baixa e sensível teve um impacto mundial", mas sempre no seu estilo, salientou o jornalista.

Trata-se de "um Papa com a sua personalidade e a Prevost não podemos pedir que seja Francisco, Bento XVI ou João Paulo II", mas "vai ter uma voz mansa, de proposta e não de provocação".

Há um ano, os "jornalistas previam um conclave longo, porque os cardeais não se conheciam e porque a Igreja estava muito dividida", mas "depois de apenas quatro votações, menos votações do que as que tinham eleito o Papa Francisco", Prevost foi o escolhido.

"Como é possível que ele tenha conseguido isto?" -- questionou Jesus Colina, recordando que o seu percurso académico e eclesiástico o colocava na rota dos cardeais preferenciais, apesar de menos mediático.

"Tem licenciatura em matemática, filosofia, teologia e direito canónico. É missionário, é americano e fala idiomas. Isto não existe", resumiu Jesus Colina, salientando que é o Papa com maior formação académica da histórica moderna da Igreja.

Na qualidade de superior-geral dos Agostinhos, percorreu o mundo, ao longo de 12 anos, falando com as hierarquias locais.

E estes foram os motivos "pelos quais os cardeais pensaram nele como novo Papa".

Além disso, já no Vaticano como prefeito do Dicastério para os Bispos, continuou a ser uma "pessoa humilde, que faz o seu trabalho, serena e institucional e é capaz de ouvir e quer a unidade" da Igreja.

Pelo contrário, "uma figura disruptiva significaria um risco" para a unidade de uma Igreja polarizada entre progressistas e tradicionalistas.

Para o jornalista, o caminho pastoral de Leão XIV irá no futuro incluir uma "nova síntese" da doutrina social da igreja, agora "adaptada aos novos tempos, adaptada à IA".

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