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Brasil vai chamar médicos cubanos expulsos por Bolsonaro para combaterem o coronavírus

Informação foi avançada pelo secretário de Estado da Saúde brasileiro, João Gabardo.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 17 de Março de 2020 às 00:19
Coronavírus
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O Ministério da Saúde do Brasil vai chamar de volta a partir desta segunda-feira para reforçarem o combate ao Coronavírus milhares de médicos cubanos que trabalhavam no país através do programa "Mais Médicos" e que o presidente Jair Bolsonaro descredenciou e expulsou ao assumir a presidência, em 2019, alegando que esses profissionais, na verdade, eram espiões ao serviço do governo comunista de Cuba.

A informação foi avançada pelo secretário de Estado da Saúde brasileiro, João Gabardo, que também anunciou a convocação de médicos reformados e estudantes de Medicina que estejam perto de concluir o curso.

"Nós vamos chamar a partir desta segunda-feira todos os médicos cubanos que estavam a trabalhar no programa inicial. Eles vão ser chamados. Vamos chamar também estudantes de Medicina a partir do sexto ano e vamos convocar ainda médicos que já estejam reformados. Com certeza vamos conseguir mais de cinco mil médicos."-Declarou Gabardo.

Criado em 2013 no governo de Dilma Rousseff, o programa "Mais Médicos" contratou principalmente médicos estrangeiros para atenderem regiões remotas e áreas pobres das periferias das grandes cidades, onde os brasileiros não queriam actuar, e chegou a ter mais de 16 mil médicos, cerca de 14 mil dos quais cubanos.

Ao assumir o governo, Bolsonaro expulsou sumariamente todos os cubanos sob o argumento de que estavam no país para disseminar a ideologia marxista e para espiar o Brasil, deixando cidades inteiras, principalmente na Amazónia, no nordeste do país e nos bairros mais pobres das grandes metrópoles sem qualquer médico até hoje.

João Gabardo não explicitou se vai fazer um novo acordo com o governo de Cuba, que supervisionava o envio de médicos da ilha para o Brasil e ficava com a maior parte do que eles recebiam, ou se vai convocar os profissionais de forma individual, mesmo eles podendo ser impedidos de viajar pelo governo do seu país. Outra possibilidade é recrutar os muitos médicos cubanos que se recusaram a voltar a Cuba e, como Bolsonaro lhes retirou a licença extraordinária para exercerem Medicina no Brasil, ficaram no país a trabalhar em outras áreas.

O secretário de Estado da Saúde explicou ser essencial contratar mais médicos, não apenas para reforçar os que já estão na linha de frente do combate à pandemia de Coronavírus, que até esta segunda-feira já teve mais de 200 casos confirmados no Brasil, quanto para substituirem os que ficarem doentes. Ele ressaltou que esses profissionais estão entre os que correm mais riscos de contaminação, por lidarem directamente com pessoas infectadas.

"A preocupação com os médicos é muito importante porque eles são muito atingidos pelo Coronavírus. Na Itália aconteceu isso. Ao menos 40% da força médica e de enfermagem a gente perde no transcorrer da doença, porque eles também ficam doentes. Mesmo que os sintomas deles sejam leves, eles têm de ser isolados para não transmitirem a doença para os seus pacientes."-Complementou Gabardo. 

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