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China alerta para uso de tartarugas e peixes "espiões" por forças estrangeiras

Autoridades chinesas já capturaram "tartarugas e peixes espiões" munidos de sensores enquanto nadavam em águas sob jurisdição chinesa, sem especificar a localização.

12 de junho de 2026 às 08:51

O ministério da Segurança do Estado da China alertou esta sexta-feira que serviços de informações estrangeiros estão a utilizar animais marinhos, como tartarugas e peixes equipados com sensores, para recolher informações sensíveis sobre o meio marítimo chinês.

Num artigo publicado na plataforma WeChat, o ministério afirmou que a fauna marinha é uma das formas utilizadas por outros países para obter dados sobre a temperatura e salinidade da água, a topografia dos fundos marinhos e as correntes oceânicas.

Segundo o organismo, as autoridades chinesas já capturaram “tartarugas e peixes espiões” munidos de sensores enquanto nadavam em águas sob jurisdição chinesa, sem especificar a localização.

O ministério acrescentou que identificou também outros equipamentos destinados à recolha de informação marítima, incluindo boias, planadores oceânicos ('gliders') e dispositivos eletrónicos embarcados, cuja presença constitui “uma séria ameaça à segurança territorial, militar e económica” da China.

Entre os exemplos referidos está uma boia esférica instalada por um instituto estrangeiro de investigação marinha, equipada com sensores meteorológicos e acústicos de elevada precisão, capazes de recolher dados ambientais e sinais acústicos emitidos por submarinos chineses em tempo real.

O texto menciona ainda um planador oceânico alimentado por energia solar e pelo movimento das ondas, dotado de sistemas de comunicação por rádio e de transmissão via satélite, que permitiria recolher informações ambientais com potencial relevância militar e dados sobre a atividade marítima.

Outro caso citado é o de um equipamento comercializado como dispositivo de “serviços marítimos” para navios de carga, mas que, segundo o ministério, seria capaz de monitorizar atividades portuárias em tempo real e integrar dados meteorológicos e coordenadas de navegação para criar uma “rede de vigilância marítima”.

“A segurança marítima é uma componente importante da segurança nacional e a sua proteção exige esforços de todos”, sublinhou o ministério, apelando à população para denunciar equipamentos suspeitos e aos proprietários de embarcações para desconfiarem de ofertas de material provenientes de empresas desconhecidas.

O ministério da Segurança do Estado, que em 2023 apelou à mobilização de toda a sociedade para “prevenir e combater a espionagem”, divulga regularmente no WeChat alegados casos de espionagem e tem incentivado os cidadãos chineses a desconfiarem de ofertas de emprego ou pedidos de informação considerados suspeitos, sobretudo quando têm origem estrangeira.

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