Ryanair rejeitou a instalação do sistema de internet por satélite de Elon Musk.
Elon Musk sugeriu publicamente a possibilidade de comprar a Ryanair, a maior companhia aérea da Europa em número de passageiros. A declaração surge no seguimento de um confronto verbal com o diretor-executivo da companhia irlandesa, Michael O’Leary, que rejeitou a instalação do sistema de internet por satélite Starlink (propriedade de Elon Musk) nos aviões da companhia aérea.
A polémica teve início quando O’Leary foi questionado sobre a eventual adoção da tecnologia Starlink, já utilizada por companhias como a Lufthansa e a British Airways, de acordo com o jornal The Guardian. O responsável da Ryanair descartou a hipótese, argumentando que a instalação de antenas nos cerca de 650 aviões da frota provocaria um aumento de 2% no consumo de combustível, o que representaria um acréscimo de 200 a 250 milhões de dólares na fatura anual de óleo de parafina da empresa, que já custa cerca de 5 mil milhões de dólares (4.300 milhões de euros).
Elon Musk reagiu nas redes sociais e classificou essa avaliação como “mal informada”. Seguiu-se uma troca de insultos entre os dois empresários, com ambos a chamarem-se “idiotas”, culminando com o fundador da Tesla e da SpaceX a sugerir que Michael O’Leary deveria ser despedido.
Na sexta-feira, Elon Musk foi mais longe e lançou uma sondagem na sua plataforma X (antigo Twitter), questionando os próprios seguidores sobre a possibilidade de comprar a Ryanair, avaliada em cerca de 30 mil milhões de euros. Mais de três quartos dos quase 900 mil participantes na sondagem responderam afirmativamente.
A própria Ryanair entrou na troca de provocações, ao fazer um comentário irónico sobre uma falha recente na plataforma X e perguntando a Elon Musk se não precisaria de Wi-Fi.
Num tom provocador, Elon Musk escreveu: “Devo comprar a Ryanair e colocar alguém cujo nome verdadeiro seja Ryan no comando?”. Numa segunda publicação, falou em “restaurar Ryan como o seu governante legítimo”, numa referência a Tony Ryan, cofundador da companhia em 1984, falecido em 2007.
A companhia aérea fez uma publicação em que desvaloriza a necessidade de Wi-Fi nos aviões. E em resposta, o bilionário questionou quanto custaria comprar a companhia aérea.
Elon Musk tem um histórico de transformar comentários informais em aquisições concretas. Em 2017, manifestou publicamente o seu interesse pelo Twitter e acabou por comprar a empresa quase cinco anos depois, num negócio avaliado em 44 mil milhões de dólares, renomeando-a posteriormente para X.
Ainda assim, os mercados parecem não levar muito a sério a hipótese de uma aquisição da Ryanair. As ações da companhia fecharam recentemente com uma queda de cerca de 1%, sinal de que os investidores não antecipam um cenário de tomada de controlo.
As regras da União Europeia determinam que companhias aéreas sediadas no espaço comunitário devem ser maioritariamente detidas por cidadãos da UE ou de países associados como a Suíça, Noruega, Islândia ou Liechtenstein. Elon Musk, nascido na África do Sul e atualmente residente nos Estados Unidos, não cumpre estes critérios.
A disputa teve origem numa entrevista de Michael O’Leary à rádio irlandesa, na qual afirmou que não dava qualquer importância às opiniões de Elon Musk sobre a instalação de Wi-Fi nos aviões da Ryanair.
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