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Correio da Manhã

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Escreve aos terroristas que lhe mataram a mulher

Leia a carta emocionante do francês Antoine Leiris.
C.C. 17 de Novembro de 2015 às 11:02
Antoine Leiris perdeu a mulher nos atentados de 13 de novembro, em Paris
Antoine Leiris perdeu a mulher nos atentados de 13 de novembro, em Paris FOTO: Navesh Chitrakar/Reuters e Facebook
A mulher do jornalista Antoine Leiris, da France Bleu, morreu nos atentados de 13 de novembro em Paris, França. Emocionado com a perda, o francês escreveu uma carta aos terroristas através do Facebook e a publicação tornou-se viral.

Na manhã desta terça-feira a carta já contava com 82 mil partilhas, 190 gostos e 109 comentários.



Leia a carta de Antoine Leiris:
"Vocês não terão o meu ódio.

Na noite de sexta-feira vocês acabaram com a vida de um ser excecional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho, mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem são e não quero sabê-lo, são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração.

Por isso eu não vos darei a prenda de vos odiar. Vocês procuraram-no mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que vos fez ser quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a jogar da mesma maneira.

Eu vi-a esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos esta pequena vitória, mas será de curta duração. Eu sei que ela nos vai acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no países das almas livres a que nunca terão acesso.

Nós somos dois, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo a dar-vos, eu quero juntar-me a Melvil que acorda da sua sesta. Ele só tem 17 meses, vai comer como todos os dias, depois vamos brincar como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vai fazer-vos a afronta de ser feliz e livre. Porque não, vocês nunca terão o seu ódio."

A carta original:

“Vous n’aurez pas ma haine” Vendredi soir vous avez volé la vie d’un être d’exception, l’amour de ma vie, la mère de...

Publicado por Antoine Leiris em Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

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