Bruno Gonçalves considera que a Europa deveria ter sido mais rápida a condenar a guerra no Irão.
A maioria dos eurodeputados portugueses defende a necessidade de mais medidas por parte da Europa para responder à crise energética, nomeadamente com aposta na transição energética e nas energias renováveis, em declarações recolhidas pela Lusa.
À margem da sessão plenária em Estrasburgo (França), Bruno Gonçalves, eurodeputado do PS, considerou que a Europa não está a fazer o suficiente para responder à crise energética e que deveria ter sido mais rápida a condenar a guerra no Irão.
Para o socialista, a União Europeia (UE) "tem feito pouco na transição para energias não fosseis", mas também do ponto de vista tributário.
Segundo o parlamentar, deveriam ser cobrados mais impostos sobre o lucro excessivo das empresas petrolíferas e estes deveriam ser distribuídos para ajudar as famílias portuguesas, defendendo também a definição de políticas de apoio à eletrificação.
Bruno Gonçalves alertou ainda que "quanto mais se estender o bloqueio do estreito de Ormuz, maior será o aumento dos preços" e que se não nos libertarmos do bloqueio "entraremos, muito provavelmente, independentemente do que aconteça no segundo semestre, numa recessão global".
Já o eurodeputado do PSD Paulo Cunha disse que a UE está a fazer o possível para responder à crise energética, após o fecho do estreito de Ormuz, mas sinalizou que "era desejável que a Europa, no passado, tivesse feito mais do que o que fez".
Paulo Cunha afirmou que a Europa necessita de um mercado energético europeu e de uma equipa constituída pelos 27 Estados-membros "que pense a questão energética de forma permanente e que não se limite a sentar à mesa quando há uma crise".
O eurodeputado social-democrata destacou a necessidade de "eletrificar a Europa" e deu o exemplo de Portugal e Espanha, onde a energia elétrica é mais barata do que na Alemanha.
Por sua vez, o eurodeputado do Chega António Tânger Corrêa, alertou que "a Europa não está apenas a sofrer com esta crise e está a falhar na forma como a interpreta e responde".
António Tânger Corrêa afirmou que, apesar da relevância estratégica do estreito de Ormuz, a UE recebe menos de 5% do petróleo que por ali transita, criticando o facto de "aceitar preços como se estivesse totalmente dependente dessa rota", quando se trata de "um mercado que amplifica o risco e penaliza artificialmente consumidores e empresas".
Concluindo, defendeu a necessidade urgente de medidas concretas para travar a especulação, proteger o mercado interno e reduzir vulnerabilidades estratégicas, advertindo que "quando a Europa não age, deixa de proteger os cidadãos e passa a proteger o problema".
A eurodeputada da IL Ana Vasconcelos manifestou apoio para o esforço da Comissão Europeia acelerar a transição para as energias renováveis, de forma a garantir a "independência energética".
Em Portugal, "no curto prazo, a solução passa por reduzir impostos" sobre o combustível e "também a redução de IVA sobre painéis solares", defendeu a eurodeputada do IL.
Ana Miguel Pedro, eurodeputada do CDS-PP, disse acreditar "que esta crise mostra que a aposta nas renováveis, na eletrificação e nas interligações energéticas é fundamental para reforçar a competitividade da nossa economia e garantir maior autonomia estratégica".
Acrescentou ainda que "a resposta europeia não deve ser regressar ao passado dos subsídios generalizados aos combustíveis fósseis" e que se deve "proteger quem mais precisa, coordenar compras e reservas a nível europeu, e acelerar a transição para energia mais limpa produzida na Europa e, no caso português, produzida em Portugal."
A eurodeputada do BE Catarina Martins disse que a União Europeia não está a fazer o suficiente para gerir a crise energética, por não estar a ser "ativamente promotora da paz na região", e acrescentou, que as medidas para os preços dos combustíveis são insuficientes.
Catarina Martins defendeu que "a transição energética tinha de ser já uma aposta maior das energias renováveis", e manifestou-se contra os preços das energias renováveis estarem ao mesmo valor que o carvão e que esse fator prejudica Portugal.
A eurodeputada do BE advertiu para o problema da alimentação, originado pela crise energética, e provoca "o aumento enorme do preço dos fertilizantes, numa altura em que nos ciclos agrícolas, os fertilizantes são fundamentais".
Questionado se acredita que a Europa está a fazer o suficiente face a crise energética, o eurodeputado do PCP João Oliveira afirmou que "a União Europeia está a empurrar para cima dos povos a fatura pelas consequências desta guerra."
João Oliveira disse que as soluções propostas pela UE, como a coordenação para compras conjuntas e eletrificação, são "pequenos remendos para grandes buracos" e não resolvem os problemas estruturais do setor energético.
O parlamentar defendeu medidas como a criação de empresas públicas, maior regulação do mercado energético e tabelamento de preços, para evitar que empresas energéticas continuem a determinar os preços livremente, prejudicando consumidores, agricultores e indústrias.
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