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Governo espanhol diz que todas as "hipóteses estão em aberto" sobre tragédia ferroviária de Adamuz

Recuperadas as três últimas vítimas localizadas. Ainda há dois desaparecidos

21 de janeiro de 2026 às 01:30

O Governo espanhol disse esta terça-feira que “todas as hipóteses estão em aberto” para explicar a trágica colisão entre dois comboios de alta velocidades em Adamuz, Córdova, que no domingo provocou a morte de pelos menos 41 pessoas e fez mais de 120 feridos.

“A investigação está na fase inicial, de recolha de dados e, portanto, todas as hipóteses estão ainda em aberto”, disse o ministro do Interior,Fernando Grande-Marlaska, após uma reunião do Conselho de Ministros. Uma opinião partilhada pelo ministro dos Transportes, OscarPuente, cujo ministério tutela a Adif, empresa estatal responsável pela gestão e manutenção da via onde ocorreu o acidente, e que ontem não escondeu o incómodo com as notícias que apontam a uma possível falha na soldadura de um dos carris como possível causa do acidente. “Essa é apenas uma hipótese”, referiu o ministro, que voltou a manifestar “estranheza” pelas circunstâncias em que ocorreu o acidente. “Passaram três comboios minutos antes e não foi reportada qualquer anomalia na via”, disse o ministro, recordando que a linha foi alvo de uma remodelação profunda em maio do ano passado. “É verdade que é uma zona nova e pode ter pecados de juventude, algo pode falhar nos primeiros tempos de operação, mas a linha está a funcionar há oito meses sem qualquer problema. Já tinha um certo tempo de rodagem, não estamos a falar dos primeiros 15 dias”, explicou. Segundo o ‘El País’, o troço em que ocorreu o acidente foi alvo de uma revisão adicional de segurança há apenas dois meses, não tendo sido detetado qualquer problema.

Investigadores estiveram esta terça-feira nas oficinas de manutenção da operadora Renfe em Madrid para inspecionar os comboios que circularam na mesma via imediatamente antes do acidente fatal de domingo, para tentar perceber se existem sinais, nomeadamente, marcas nos rodados, provocados por algum problema nos carris.

Entretanto, foram recuperados os três últimos corpos que tinham sido localizados nos escombros da última carruagem, mas as buscas prosseguem, uma vez que há ainda duas pessoas dadas como desaparecidas.

“É um milagre estar vivo” 

Santiago Salvador, um dos dois portugueses envolvidos no acidente, disse que “é um milagre esta vivo”. Num vídeo publicado no Instagram a partir do hospital, onde foi internado com fraturas numa perna e ligeiras escoriações, conta que “começou a voar” pela carruagem como se estivesse “num carrossel”. “Foi um inferno. Vi muitas pessoas mortas e muitos feridos graves”, relatou. 

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