Marielle Franco foi assassinada em 2018.
Os dois irmãos acusados de serem os mandantes do assassínio da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco em 2018, Domingos Inácio Brazão e João Francisco Brazão, foram condenados esta quarta-feira a 76 anos e 3 meses de cadeia cada um. O julgamento terminou no final da tarde no Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, em Brasília, com a presença de familiares da jovem vereadora, morta aos 35 anos, alguns dos quais tiveram de ser atendidos pela equipa médica do tribunal por se terem sentido mal.
Os quatro juízes da Primeira Turma do STF, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Carmen Lúcia e Flávio Dino, foram unânimes em considerar os dois irmãos culpados dos crimes de que foram acusados. Domingos e Chiquinho Brazão, como o ex-deputado é conhecido, foram condenados pelos crimes de duplo homicídio consumado, já que além de Marielle também foi assassinado o motorista dela, Anderson Gomes, homicídio tentado, já que no carro onde ocorreram as mortes também ia uma assessora da vereadora, e organização criminosa armada.
O ex-major da Polícia Militar Ronald Pereira, acusado de ter seguido Marielle e passado informações da localização dela para os executores, foi condenado a 56 anos, e o ex-chefe da Polícia Civil (Judiciária) do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa apanhou 18 anos de prisão por corrupção e obstrução de justiça, já que recebeu dos irmãos Brazão para atrapalhar as investigações. O quinto arguido do processo, Robson Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, foi condenado a 9 anos por formação de organização criminosa.
Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos dentro do carro em que seguiam na noite de 14 de Março de 2018 numa rua erma no bairro do Estácio, na região central do Rio de Janeiro, quando a jovem e aguerrida vereadora do PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, ia para casa após um evento político. O atirador, o ex-polícia Ronnie Lessa, que ia num outro carro atrás do de Marielle e Anderson, deu uma única rajada de 14 tiros com uma arma de grosso calibre, nove dos quais atingiram Marielle e os outros Anderson.
Tanto Ronnie quanto um outro polícia, Hélcio Queiroz, que dirigia o veículo do assassino, foram presos em 2019 e já foram condenados a pesadas penas. Para reduzirem essas condenações, Ronnie e Hélcio fizeram um acordo de colaboração com a justiça, o que abriu caminho para a recolha de provas e levou hoje à condenação dos arguidos.
De acordo com Alexandre de Moraes, relator do processo, Marielle foi assassinada porque a sua acção política atrapalhava os planos de Domingos, então conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e de Chiquinho, deputado federal, ligados a uma milícia armada com forte actuação na zona oeste da capital fluminense. A morte dela terá sido decidida depois de Marielle iniciar uma campanha para destinar a habitação social para pessoas pobres uma enorme área desocupada na zona oeste, que os Irmãos Brazão tinham ocupado ilegalmente e pretendiam lotear e lucrar milhões de euros.
Eles contrataram Ronnie Lessa, que chamou Hélcio para o ajudar. Rivaldo Barbosa, que comandava a Divisão de Homicídios, foi pago pelos irmãos para dificultar a apuração dos crimes, o que conseguiu durante anos, tendo até forjado pistas falsas para desviar as investigações dos irmãos Brazão.
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