Relatório enviado o ano passado ao governo Bolsonaro alertava que o hospital não tinha condições de segurança para funcionar.
Morreu na madrugada desta quarta-feira, mais um dos 200 doentes evacuados de emergência na manhã de terça quando um violento incêndio eclodiu no Hospital Federal de Bonsucesso, um dos maiores da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Com essa morte, passam a três as vítimas mortais do fogo, que na manhã desta quarta-feira ainda continuava a consumir parte do hospital, apesar de os bombeiros garantirem que estava tudo sob controle.
Até meio da manhã desta quarta-feira, o Hospital Federal de Bonsucesso ainda não tinha divulgado dados sobre a terceira vítima do incêndio, limitando-se o Ministério da Saúde a confirmar o terceiro óbito e a informar tratar-se de um homem. As outras duas vítimas foram duas doentes que estavam internadas em estado grave com Covid-19, uma de 83 anos e a outra, Núbia Rodrigues, de 42, que trabalhava no setor de radiologia do próprio hospital, onde se infetou com a Covid-19 ao atender o público.
Nenhuma das três vítimas mortais morreu por causa das chamas, razão pela qual os Bombeiros tinham afirmado que o sinistro não tinha provocado vítimas. Nos três casos, as vítimas morreram em consequência do agravamento dos seus casos durante ou após a remoção para outras unidades de saúde.
Só no final da madrugada desta quarta-feira foi concluída a transferência para outros hospitais do Rio de Janeiro de todos os pacientes evacuados na manhã anterior. Até aí, grande parte permaneceu no pátio externo do edifício ou acomodado como deu em lojas vizinhas ao Hospital Federal de Bonsucesso, localizado na zona norte da cidade, nomeadamente numa borracharia em frente, improvisada em sala de observação e recuperação, inclusive de doentes em estado grave.
Tragédia anunciada
Informações divulgadas nas horas seguintes ao incêndio, mostraram que o fogo e as mortes poderiam ter sido evitadas. Um relatório enviado em agosto de 2019, ou seja, há mais de um ano, ao governo Bolsonaro, que tutela a unidade, alertava que o Hospital Federal de Bonsucesso não tinha condições de segurança para funcionar.
No relatório, peritos alertaram que as instalações elétricas eram antigas, apresentavam inúmeras falhas e remendos, e poderiam originar a qualquer momento um curto-circuito e um incêndio de graves consequências. Por isso o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, responsável pela fiscalização do local, recusou fornecer o auto de segurança, avaliando o hospital como inadequado para estar em funcionamento, mas nada foi feito pelo governo central.
O Hospital Federal de Bonsucesso é um dos mais importantes do Rio de Janeiro e um dos mais movimentados, atendendo diariamente mais de duas mil pessoas. Unidade de referência para casos de alta complexidade, inclusive transplantes, o hospital tem vindo a degradar-se ao longo dos anos devido à falta de investimentos e de verbas até para manutenção, que culminaram esta terça-feira com uma nova tragédia em hospitais da capital fluminense.
Desde o ano passado, ao menos quatro outros incêndios foram registados em hospitais da cidade. No mais trágico, que destruiu o Hospital Badin, 11 doentes ali internados morreram durante o incêndio e outros 12 faleceram nos dias seguintes em consequência do sinistro em si ou da remoção.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.