Anúncio foi feito pelo presidente durante congresso do partido que lidera, sem indicar uma data. Últimas presidenciais ocorreram em 2005 e legislativas em 2006.
O Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, prometeu esta quinta-feira organizar eleições, sem indicar uma data, durante o congresso do partido que lidera, a Fatah, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
"Estamos a preparar-nos para organizar eleições legislativas e presidenciais", declarou Abbas, 90 anos e no cargo há mais de 20, prometendo também reformas.
A Fatah iniciou esta quinta-feira o primeiro congresso do movimento em 10 anos, em que irá eleger um novo comité central.
O partido enfrenta enormes desafios após a guerra devastadora na Faixa de Gaza, a expansão da colonização israelita na Cisjordânia e a erosão da sua legitimidade, segundo analistas citados pela agência noticiosa France-Presse (AFP), que acrescentam que o comité central deverá desempenhar um papel decisivo na era pós-Abbas.
A Fatah é historicamente a principal componente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que reúne a maioria das fações palestinianas, com exceção dos grupos islamitas Hamas e Jihad Islâmica.
Contudo, nas últimas décadas, a popularidade e a influência da Fatah diminuíram devido a divisões internas, à rivalidade com o Hamas e à crescente frustração da opinião pública perante o impasse no processo de paz israelo-palestiniano.
O partido enfrenta "os desafios mais graves da [sua] luta", afirmou Jibril Rajoub, secretário-geral do comité central da Fatah.
Rajoub disse esperar que o congresso geral contribua para "garantir e proteger a criação de um Estado palestiniano no cenário internacional e preservar a OLP como única representante legítima do povo palestiniano".
O Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeita, porém, a criação de um Estado palestiniano soberano e plenamente independente na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, e em Gaza.
Ao mesmo tempo, prossegue no terreno a expansão dos colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais à luz do direito internacional.
O diretor do Centro Palestiniano de Investigação Política e Estudos Estratégicos (Masarat), Hani al-Masri, afirmou à AFP que a Fatah já não domina a Autoridade Palestiniana nem a OLP, mas instrumentaliza ambas para manter a sua legitimidade.
Essa legitimidade "está a deteriorar-se na ausência de um projeto nacional unificado, de eleições e de consenso nacional", analisou, lamentando que "o projeto nacional tenha estado claramente ausente dos debates" na preparação do congresso.
Ainda assim, considerou que a realização do conclave constitui um primeiro passo para "reorganizar a casa palestiniana, de forma a construir um parceiro para a criação de um Estado palestiniano".
O congresso decorrerá durante três dias e reúne cerca de 2.580 participantes, a maioria em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, embora várias centenas participem a partir de Gaza, Cairo e Beirute. Os participantes deverão eleger 18 representantes para o comité central e 80 para o conselho revolucionário, o parlamento do partido.
Apesar das repetidas declarações do movimento sobre a sua unidade, várias figuras importantes estarão ausentes, entre elas Nasser al-Kidwa, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana, que boicota a reunião.
"Este congresso é ilegítimo e a direção do partido, que usurpou o poder, também é ilegítima. O seu tempo terminou", declarou Al-Kidwa, sobrinho de Yasser Arafat.
Entre as figuras mais relevantes que pretendem suceder a Mahmoud Abbas estão Jibril Rajoub e o vice-presidente da Autoridade Palestiniana, Hussein al-Sheikh. O filho mais velho do Presidente, Yasser Abbas, é candidato a um lugar no comité central.
Na Faixa de Gaza, onde vigora um cessar-fogo frágil desde outubro, após dois anos de guerra entre Israel e o Hamas, a eleição do comité central decorrerá na Universidade al-Azhar, na cidade de Gaza.
O movimento islamita Hamas, vencedor das eleições legislativas palestinianas de 2006, tomou o poder em Gaza em 2007, expulsando a Fatah, após meses de impasse político sobre a partilha do poder.
Netanyahu tem afirmado repetidamente que a Autoridade Palestiniana e o Fatah não terão qualquer papel na governação de Gaza após o fim da guerra.
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