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Correio da Manhã

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Polícia deixa livres suspeitos de violação

Jovem foi violada por 33 homens no Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Maio de 2016 às 03:30
Ativistas manifestaram-se contra crimes de género na escadaria da Assembleia Nacional, no Rio de Janeiro
Ativistas manifestaram-se contra crimes de género na escadaria da Assembleia Nacional, no Rio de Janeiro FOTO: António Lacerda/EPA
Numa atitude que indignou o Brasil, a polícia do Rio de Janeiro deixou sair em liberdade dois suspeitos de terem participado na violação coletiva de uma menina de 16 anos numa favela daquela cidade brasileira. Eloísa Sany, advogada da adolescente, adiantou ontem que vai pedir a substituição do inspetor que lidera a investigação, Alessandro Thiers.

Os dois suspeitos, Lucas Perdomo, de 20 anos, que a polícia diz ser namorado da vítima, e o amigo Ray de Souza, de 22, negaram ter participado na violação e questionaram mesmo que tenha ocorrido. Lucas, jogador do Boavista, reconheceu ter estado na casa da favela São José Operário apontada pela vítima, com esta, Ray e uma amiga para fazerem sexo. No entanto, frisou que quem manteve relações com a jovem foi o amigo. Dizem que ela ficou sozinha no imóvel e desconhecem o que ocorreu depois.

No seu depoimento, a jovem contou que foi a casa de Lucas e, provavelmente após ser drogada, acordou em outra casa, nua e amarrada, e que foi violada por 33 homens que exibiam armas de guerra. Fugiu com a ajuda de um agente comunitário, mas fotos e vídeos tirados na casa foram exibidos na internet, algumas pelo próprio Ray.

O caso levou o presidente em exercício, Michel Temer, a criar um departamento policial de combate aos crimes contra a mulher. Em várias cidades, homens e mulheres manifestaram-se contra a vaga de ataques sexuais no país.
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