Rangel diz que a imposição de tarifas põe em causa o acordo anterior entre a administração norte-americana e a UE.
Portugal apoia uma resposta europeia às tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre países que se opõem ao controlo da Gronelândia pelos Estados Unidos, disse esta terça-feira no parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros.
"Somos favoráveis a uma reação da União Europeia", que deverá ser anunciada durante o dia pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.
Questionado pelo deputado do Livre Rui Tavares sobre a eventual adoção de um "mecanismo anticoerção", invocado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, Paulo Rangel admitiu que "tem uma eficácia externa", reconhecendo "alguma pertinência" na proposta.
A ativação deste mecanismo anticoerção requer a maioria qualificada dos países da UE e permite, por exemplo, impor limites às importações de um país ou ao acesso a determinados mercados, com bloqueio de investimentos.
Rangel comentou que a imposição de tarifas põe em causa o acordo anterior entre a administração norte-americana e a UE, além de que taxar seis países-membros tem efeitos nos 27, devido ao mercado único.
No sábado, Donald Trump afirmou que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos EUA sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).
Sobre as ameaças de Trump sobre o território autónomo da Noruega, o ministro manifestou "imensa preocupação", porque "cria um problema sério dentro da NATO, pilar fundamental da segurança para Portugal", além de levantar problemas sobre o respeito pela integridade territorial e soberania.
Rangel disse estar a acompanhar a situação "rigorosamente ao minuto", juntamente com parceiros da UE e da NATO, nomeadamente durante todo o fim de semana passado. O Governo português, acrescentou, "prefere uma solução de diálogo sempre, apesar das retóricas que os protagonistas possam usar".
O ministro considerou existir "espaço para uma negociação" e recomendou "alguma contenção na linguagem". Em resposta ao deputado da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva sobre a possibilidade de enviar militares portugueses para aquela ilha no Ártico, "em coordenação com os aliados", como fizeram outros países europeus, Rangel lembrou que essa decisão cabe ao Conselho Superior de Defesa Nacional e ao Presidente da República, numa altura em que o país realiza eleições presidenciais. "A nossa posição, até agora, foi a de não contribuir nem com declarações retóricas nem com atos simbólicos para escalar a situação", salientou.
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