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Portugal com "vantagem adicional" no acordo comercial UE/Mercosul

Secretário de Estado da Economia destacou a vantagem da indústria nacional de calçado onde "mais de dois terços dos clientes" falam português.

23 de fevereiro de 2026 às 15:01

O secretário de Estado da Economia destacou esta segunda-feira a "vantagem adicional" da indústria nacional de calçado no âmbito do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, onde "mais de dois terços dos clientes" falam português.

"O [acordo com o] Mercosul penso que tem uma vantagem adicional: Temos que pensar que a língua portuguesa é quem domina mais de dois terços dos clientes no Mercosul e as empresas portuguesas podem ser uma plataforma de fazer negócio" para aquela região, afirmou João Rui Ferreira em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à comitiva portuguesa que, desde domingo e até terça-feira, participa na feira de calçado Micam, em Milão, Itália.

Quanto ao acordo comercial entre a UE e a Índia, o governante notou que "os direitos aduaneiros [que a Índia pagava] na Europa já eram relativamente baixos", mas considerou que com o acordo "poderá haver algum equilíbrio".

"São acordos aparentemente diferentes do ponto de vista deste setor [do calçado], porque enquanto num [Mercosul] estamos a falar de um potencial de crescimento de mercado para Portugal exportar, porque já é um mercado com clientes com poder aquisitivo diferente, a Índia é talvez um pouco diferente, ainda que por cada percentagem da população que cresça em capacidade aquisitiva estejamos a falar sempre de um grande mercado", referiu.

Segundo salientou, o grande objetivo destes acordos é "dar espaço às empresas portuguesas para terem acesso a esses mercados", no âmbito da aposta feita numa estratégia de diversificação dos destinos de exportação.

"O nosso foco é mesmo a diversificação de mercados. Hoje falamos da resiliência económica de Portugal enquanto país, num contexto muito difícil que temos, mas a resiliência também passa por diversificar mercados e ter as apostas certas e este setor já fez isto", enfatizou.

Como exemplos apontou a "Coreia do Sul, Japão e alguns mercados também do leste europeu, onde o poder aquisitivo está a crescer claramente e onde o calçado português se posiciona".

"Mesmo os Estados Unidos, apesar do momento difícil, [...] são um mercado que a indústria portuguesa não pode abandonar, porque é claramente um mercado onde o poder aquisitivo é muito alto e para onde exportamos produtos de alto valor acrescentado", sustentou.

Reiterando que a diversificação de mercado faz parte da "estratégia de resiliência para o país" traçada pelo Governo, João Rui Ferreira garantiu que o executivo "está disponível para continuar a apoiar nessa diversificação".

Neste âmbito, referiu que a estratégia de internacionalização do setor do calçado para 2026-27 "está fechada e estabilizada", após "um processo de negociação longo", permitindo agora ao setor "ter uma estabilidade e previsibilidade de trabalho para os próximos anos".

O secretário de Estado sublinhou ainda a disponibilidade do Governo para "apoiar o setor a crescer na cadeia de valor", encontrando clientes de maior valor acrescentado que permitam multiplicar o valor dos produtos exportados.

"Queremos que os consumidores cada vez mais reconheçam que o 'Portuguese Shoes' ou o 'Made in Portugal' já têm muito valor acrescentado e penso que isso já é um tema indiscutível hoje", porque "não há dúvida de que Portugal se posicionou muito bem a nível da qualidade, nível de serviço, capacidade de resposta, sustentabilidade e área tecnológica", afirmou.

Quanto às dificuldades que as empresas ainda enfrentam no processo de criação de marcas próprias, João Rui Ferreira considerou que decorrem da "questão de fundo" relacionada com a necessidade de "dar escala e dimensão às empresas", já que "a criação de uma marca exige um investimento continuado de forte capital".

"E nós estamos a fazer esse caminho, porque temos hoje escolas de 'design' cada vez mais preparadas em diferentes zonas do país", sustentou, apontando ainda as potencialidades de um trabalho "em rede" entre empresas, por exemplo através da criação de "departamentos comerciais conjuntos.

Questionado pelos jornalistas sobre as negociações no âmbito da reforma laboral, o governante salientou que assentam "numa lógica sempre de aumentar a produtividade",não sendo "contra ninguém".

"É um acordo para fazer crescer a economia portuguesa num contexto altamente competitivo, com muitas variáveis, não só do mercado interno, mas globais e, portanto, é um processo que está em curso", rematou.

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