Está prevista a assinatura de cerca de uma dezena de instrumentos bilaterais, em áreas como ambiente, proteção civil, entre outras.
A 36.ª Cimeira Luso-espanhola vai juntar, esta sexta-feira, em Huelva 11 ministros espanhóis e sete portugueses, além dos chefes dos dois Governos, numa reunião em que Portugal e Espanha vão procurar selar uma "aliança pela segurança climática".
Está prevista a assinatura de cerca de uma dezena de instrumentos bilaterais, em áreas como ambiente, proteção civil, saúde, cibersegurança, inclusão social e proteção dos consumidores.
O tema principal da cimeira é a segurança climática e Portugal e Espanha vão "procurar reforçar a cooperação na adaptação às alterações climáticas e na competitividade das duas economias", segundo fontes dos dois executivos.
Em particular, o memorando de entendimento entre Portugal e Espanha em matéria de proteção civil e emergências tem como objetivo desenvolver eixos de cooperação na avaliação de riscos transfronteiriços e planeamento de emergência, bem como a articulação entre as Plataformas Nacionais para a Redução do Risco de Catástrofes.
A par da declaração final conjunta dos dois Governos que habitualmente sai das cimeiras luso-espanholas, haverá este ano uma declaração conjunta dos dois ministérios do ambiente dedicada à "luta contra as alterações climáticas" e que, segundo o executivo de Espanha, se pretende que seja "o elemento estrela" deste encontro.
Esta cimeira acontece após meses de grandes incêndios e tempestades na Península Ibérica.
Portugal e Espanha levam à 36.ª cimeira de Huelva, além dos dois chefes de Governo, Luís Montenegro e Pedro Sánchez, 18 ministros, sete portugueses e 11 espanhóis.
A cimeira decorre no Mosteiro de Santa Maria de La Rábida e na Universidade Internacional da Andaluzia, em Huelva, no sul de Espanha.
Sánchez receberá Montenegro com honras militares às 11h00 locais (10h00 em Lisboa) e seguir-se-á um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente ferroviário em Espanha de 18 de janeiro, em que morreram 46 pessoas, a maioria das quais residentes em Huelva.
Após a apresentação e saudações das duas comitivas, será feita a "fotografia de família" da cimeira e, depois, os dois chefes de Governo assinam o livro de honra do Mosteiro de Santa María de la Rábida.
Seguem-se os encontros bilaterais e, no final, uma cerimónia de assinatura dos acordos da cimeira e a conferência de imprensa conjunta de Montenegro e Sánchez, ainda antes da sessão plenária, em que estarão os dois primeiros-ministros e os 18 ministros das duas delegações.
Apesar de o foco da cimeira estar nas alterações climáticas, o Governo espanhol admite que a situação geopolítica internacional -- marcada pela nova guerra no Médio Oriente - "marcará de alguma maneira" o encontro bilateral entre os dois primeiros-ministros, que voltarão a encontrar-se em 19 e 20 de março no Conselho Europeu.
Sánchez condenou os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, tendo recusado a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias.
O Governo português deu uma "autorização condicionada" ao uso da base das Lajes, nos Açores, já depois do início do ataque, no sábado, e Luís Montenegro afirmou que "Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar", mas salientou que o país está mais próximo do seu aliado norte-americano do que do Irão.
Questionado no parlamento se se solidarizava com a posição de Espanha, após as ameaças norte-americanas, o primeiro-ministro português não respondeu diretamente, por não querer "comentar o posicionamento de outros Estados". No entanto, salientou que Portugal "é um país fundador da Nato" - aderiu em 1949 - enquanto Espanha "só aderiu em 1982".
A anterior cimeira luso-espanhola realizou-se em 23 de outubro de 2024, em Faro, e teve como tema central "Água, um bem comum", tendo sido assinados onze acordos.
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