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Reinfetados por Covid-19: O grande enigma da pandemia que está a deixar o mundo em alerta

Hong Kong, Bélgica e Países Baixos já confirmaram casos de reinfeção.
Correio da Manhã 26 de Agosto de 2020 às 07:50
Coronavírus
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O aparecimento de casos de reinfeção por Covid-19 não só se está a tornar no grande enigma da pandemia como está também a deixar o mundo em alerta. 

Esta terça-feira foram anunciados estes casos - considerados pela OMS casos muito raros - em Hong Kong, Bélgica e Países Baixos e de imediato se levantam questões importantes: Será a vacina eficaz perante estes novos dados? E a imunidade de grupo, será algo possível?

Há um conjunto de conclusões que podemos tirar destes novos dados, explica o jornal espanhol El País

A primeira questão é que esta não é necessariamente uma má notícia. Ora vejamos casos de doenças como gripes ou constipações. Podemos apanhar todos os anos e, por vezes, várias vezes no mesmo ano. Seria, por isso, expectável que a Covid-19 pudesse ter o mesmo comportamento de reinfeção. A boa notícia neste caso é que os pacientes de Hong Kong e Bélgica tiveram uma reação ao vírus muito mais leve quando comparada com a primeira infeção que sofreram.  

Segunda questão: Isto será comum? A Organização Mundial da Saúde garante que não e que é um número muito reduzido deste tipo de casos. María Montoya, chefe do grupo de Imunologia Viral do Centro de Pesquisas Biológicas Margarita Salas (CSIC), defende que apesar de ser pouco comum, poderá ser algo mais frequente num futuro breve. 

"Não é um evento muito comum até agora. Se fosse, o número de infetados seria muito maior, especialmente entre pessoas que estiveram em contato com infetados, como profissionais de saúde, onde se constatou que não repetiram a doença ", afirma. "Se a reinfecção se deve ao fato de a imunidade gerada na primeira infeção ter diminuído, a partir de agora começamos a ver mais reinfecções", acrescenta.

Então e a vacina? Federico Martinón-Torres, chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Clínico Universitario de Santiago, em Espanha, afirma que para já é necessário perceber se estes são casos isolados ou se será mais frequente a partir de agora. Caso as defesas das pessoas que já tiveram a doença diminuam com o tempo, é expectável que uma dose única da vacina não seja suficiente e que a população tenha de ser revacinada como já acontece com outras vacinas. 

"Um efeito importante das vacinas é a proteção contra a transmissão da doença a outras pessoas", diz Martinón-Torres. "Isto é algo que acontece com a vacina pneumocócica conjugada [administrada atualmente em crianças até aos 15 meses], que produz proteção coletiva, evita que o sujeito transmita a doença para outras pessoas". No caso específico do coronavírus, isso não seria possível, pelo menos a longo prazo. Apesar de a vacina poder não evitar a infeção, poderá, no entanto, atenuar os efeitos negativos da mesma. 

Quanto à imunidade de grupo, se existirem mais casos de reinfeção, este será um objetivo mais difícil de atingir. A falta de dados relativamente a esta pandemia ainda é um facto que deixa a comunidade científica num leque de questões por responder. 

Certo é que, para já, os casos de reinfeção são raros e os estudos sobre os mesmos ainda se encontram numa fase muito inicial. 
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