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"Uma parte perdida de mim de volta": Irmãs separadas após o pai matar a mãe encontram-se 50 anos depois no País de Gales

Theresa foi viver com o pai biológico em Londres e Janet foi adotada. Ambas cresceram em ambientes hostis e afastadas uma da outra. Voltaram a ver-se através de um grupo no Facebook.

12 de janeiro de 2026 às 15:35

Duas das irmãs separadas após o pai assassinar a mãe com um martelo voltaram a estar juntas mais de 50 anos depois, no País de Gales, no Reino Unido. As duas mulheres voltaram a entrar em contacto através da rede social Facebook.

Theresa Fazzani, de 59 anos e a irmã Janet, de 57, eram apenas crianças quando a mãe, Helen Barnes, foi assassinada em casa em dezembro de 1973, em Newport, no País de Gales, avança o jornal britânico Daily Mail.

As irmãs afirmam que o trauma daquele dia e as décadas de separação forçada marcaram as suas vidas. 

O marido de Helen, Malcom Barnes, matou-a com um martelo de quase um quilo e disse às crianças que a mãe estava "a dormir". De seguida, pegou nas quatro meninas, de oito, cinco, três e dois anos, e levou-as numa viagem de carro que durou cinco dias até à aldeia de John O'Groats, na Escócia.

Cinco dias depois, Barnes confessou o crime e foi condenado a prisão perpétua, mas cumpriu apenas nove anos de pena.

"Lembro-me de entrar no quarto e ver a minha mãe na cama. O Malcolm disse que ela estava a dormir e que precisávamos de entrar no carro. De repente, estávamos na Escócia. Eu fiquei assustada e confusa quando descobri que a nossa mãe tinha sido assassinada", recordou a irmã mais velha.

A partir desse momento, a vida das quatro crianças mudou drasticamente. Theresa descobriu que Barnes não era o seu pai biológico e foi viver com o pai verdadeiro em Londres. Janet e as duas crianças mais novas ficaram juntas e foram adotadas no País de Gales. "Eu não conseguia perceber que o Malcolm não era o meu pai, mas era pai das minhas irmãs", explicou Theresa.

"O meu pai verdadeiro era horrível e não me deixava contactar as minhas irmãs ou falar sobre elas", contou Theresa. "[O pai] não era particularmente simpático, ele batia-me", contou Theresa, destacando o quão difícil foi viver sem as irmãs.

Quando a irmã mais velha foi para Londres, as mais novas não conseguiram despedir-se. "Depois dela ir embora, disseram-nos que nunca mais a íamos ver. Tinha perdido as duas mulheres mais importantes da minha vida antes dos seis anos. Crescer sem a minha irmã mais velha foi muito difícil, porque tínhamos uma ligação próxima", explicou Janet.

Janet foi adotada, juntamente com as irmãs mais novas, por uma família disfuncional, e "de repente era a irmã mais velha, a tentar navegar num ambiente hostil". "A minha mãe adotiva dizia que eu ia acabar na prisão como o meu pai", relatou Janet.

Durante mais de cinco décadas, Theresa e Janet não estabeleceram nenhum contacto. Até julho de 2025, quando Theresa, agora terapeuta de saúde mental e a viver em Inglaterra, decidiu procurar as irmãs através de um grupo de Facebook que ajuda a reunir famílias.

"Eu pensei em contactar as minhas irmãs tantas vezes, mas ficava tão ansiosa e tinha medo de rejeição", começou por explicar a irmã mais velha, destacando que finalmente tomou a decisão de as procurar porque fará 60 anos brevemente e não quer "arrepender-se de nada".

No espaço de 48 horas, o grupo encontrou Janet e as outras irmãs que agora falam diariamente com Theresa. "A primeira vez que nos encontrámos foi avassaladora. Foi como ter uma parte perdida de mim de volta", disse Theresa, que agora não passa um dia sem falar com Janet ao telefone.

Janet já tinha tentado encontrar Theresa em 2022, através dos documentos da mãe, mas ficou com medo de falar com ela. "Achei que ela me ia odiar por causa do que o meu pai fez e pensei se eu realmente fosse importante, ela já me teria procurado", explicou a irmã.

Quando recebeu a chamada telefónica da irmã, Janet ficou em choque, mas aliviada. Contudo, foi difícil ouvir a forma horrível como Theresa foi tratada ao longo dos anos.

Juntas, Theresa e Janet tentaram recordar em conjunto tudo o que lhes aconteceu na infância. As duas, que não foram sequer autorizadas a ir ao funeral da mãe, foram juntas visitar a campa de Helen pela primeira vez há poucos meses.

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